O descolamento costuma ser indolor. Os sintomas se instalam geralmente na visão periférica e, quando a mácula é atingida, comprometem a visão central. Os sinais clássicos incluem:
- Flashes de luz (fotopsia) — pontos ou traços de luz que aparecem de maneira repetida, especialmente no escuro.
- Aumento súbito de moscas volantes (floaters) — dezenas a centenas de pequenos pontos, fios ou teias escuras no campo visual. Pode estar associado a hemorragia vítrea ('chuva de fuligem').
- Sombra ou cortina escura avançando sobre o campo visual periférico em direção ao centro. É o sinal mais característico.
- Borramento ou perda súbita da visão no olho afetado.
- Em raros casos com pequenos buracos atróficos, o descolamento pode ser silencioso e descoberto apenas em exame de rotina.
Importante: qualquer um desses sintomas — especialmente de início súbito — deve ser avaliado por um oftalmologista no mesmo dia. Quanto mais cedo o tratamento, melhores as chances de recuperar a visão.
O padrão-ouro para o diagnóstico é o exame de fundo de olho dilatado com oftalmoscópio indireto, realizado por um oftalmologista. É comum associar a depressão escleral, uma técnica que ajuda a visualizar toda a retina periférica e identificar rasgaduras pequenas.
Quando o meio ocular está opaco (catarata avançada, hemorragia vítrea) e impede a visualização direta, podem ser usados: ultrassonografia B-scan (muito útil — mostra a retina descolada como uma membrana flutuante), fotografia de fundo de ampla angulação e OCT para avaliar envolvimento macular.
Tipos de descolamento:
- Regmatogênico — o mais comum. Começa com uma rotura ou buraco na retina (geralmente provocado pela tração do vítreo ao se soltar). O líquido vítreo passa pela rotura e se acumula atrás da retina.
- Tracional — por tração do tecido cicatricial sobre a retina. Frequente em retinopatia diabética proliferativa, retinopatia da prematuridade e sequelas de uveítes ou trauma.
- Exsudativo — por acúmulo de líquido sob a retina sem rotura, por doenças inflamatórias (Harada, VKH), tumores, hipertensão maligna ou degeneração macular exsudativa.
Fatores de risco: idade avançada, miopia alta, trauma ocular, cirurgia intraocular prévia (principalmente catarata com perda vítrea), histórico familiar ou pessoal de descolamento, degeneração lattice, uveítes inflamatórias.
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O descolamento de retina é sempre uma emergência cirúrgica — quanto mais cedo, melhor. As três técnicas principais são:
- Vitrectomia posterior via pars plana — mais usada em descolamentos complexos, com múltiplas rasgaduras, proliferação vitreorretiniana ou quando a visão do fundo está comprometida. Envolve remoção do vítreo, drenagem do fluido subretiniano, fotocoagulação a laser e tamponamento com gás ou óleo de silicone.
- Retinopexia pneumática — procedimento ambulatorial em que uma bolha de gás é injetada no vítreo para reposicionar a retina; associa-se a laser ou crioterapia para selar a rotura. Indicada em casos selecionados (descolamento pequeno, rotura superior, retina com boa transparência).
- Introflexão escleral — colocação de uma faixa de silicone ao redor do olho, indentando a esclera em direção à retina para fechar a rotura por fora. Pode ser combinada com vitrectomia em casos específicos. Mais usada em pacientes jovens, míopes altos e com descolamento regmatogênico típico.
Quando há tamponamento com gás, o paciente deve manter uma posição específica da cabeça por vários dias para que a bolha pressione a área tratada. Viajar de avião ou subir a grandes altitudes fica proibido enquanto houver gás no olho. Quando o tamponamento é com óleo de silicone, uma segunda cirurgia é necessária depois para remover o óleo.
A taxa de sucesso anatômico em um único procedimento é aproximadamente 95% em descolamentos regmatogênicos sem complicações. O resultado visual depende especialmente de a mácula ter sido atingida (macula-off) ou não (macula-on): quanto mais rápido o tratamento antes do envolvimento macular, melhor o prognóstico.
Na Ortolan Oftalmologia, a cirurgia de descolamento de retina é conduzida pelo Dr. Daniel Lani Louzada, especialista em Retina Cirúrgica e Vítreo pela USP e Unifesp.



