Doença

Neuroftalmologia

A Neuroftalmologia é a subespecialidade da oftalmologia que avalia e trata as doenças que afetam a conexão entre o olho e o cérebro — o nervo óptico, o quiasma óptico, as vias visuais, o tronco cerebral e os nervos cranianos responsáveis pela visão e pelo movimento ocular. Exige raciocínio clínico refinado e integração com neurologia, neurocirurgia, reumatologia e outras especialidades.

Dr. Samir Cavero Crespo, professor de Neuroftalmologia no Medcof e especialista pela USP.
Sintomas

Os sintomas que mais frequentemente levam a uma avaliação neuroftalmológica são perda visual súbita (mono ou binocular), baixa visão progressiva inexplicada, dor ocular associada à movimentação (típica da neurite óptica), visão dupla (diplopia), desalinhamento ocular adquirido, queda de pálpebra (ptose) nova, alterações pupilares (anisocoria) e escotomas persistentes.

Outros sinais de alerta incluem dor de cabeça intensa e atípica associada a alterações visuais, oscilopsia (sensação de que o ambiente treme ou se move), perda de campo visual correlacionada com alterações neurológicas, papiledema identificado em exame de rotina e síndromes de nervos cranianos (paralisia do III, IV ou VI par).

Neurites ópticas, neuropatias ópticas isquêmicas, papiledema por hipertensão intracraniana, arterite de células gigantes, compressões tumorais do nervo óptico ou quiasma, esclerose múltipla, neuromielite óptica (Devic), fístulas carótido-cavernosas e síndromes miastênicas são exemplos das condições avaliadas.

Diagnóstico

O diagnóstico neuroftalmológico começa por uma anamnese cuidadosa e um exame oftalmológico especializado: acuidade visual, visão de cores, teste de sensibilidade ao contraste, avaliação de pupilas (incluindo pupila de Marcus Gunn / DPAR), motricidade ocular completa, exame do fundo de olho com ênfase no nervo óptico, campimetria visual computadorizada e, quando indicado, OCT do nervo óptico e da camada de fibras nervosas peripapilares.

Em muitos casos, exames complementares de imagem são essenciais: ressonância magnética de encéfalo e órbitas (com e sem contraste), angiorressonância, tomografia de crânio e, conforme a suspeita, arteriografia. A pesquisa laboratorial inclui marcadores inflamatórios (VHS, PCR), autoanticorpos (NMO-IgG, MOG, anti-AChR), função tireoidiana, sorologias (HIV, sífilis), vitamina B12, folato e outros conforme a hipótese diagnóstica.

A integração com neurologia, neurocirurgia, reumatologia e clínica médica é regra, não exceção. Muitas doenças neuroftalmológicas são manifestações de condições sistêmicas ou neurológicas mais amplas que precisam de abordagem multidisciplinar.

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Tratamento

1. Neurite óptica — quadros agudos geralmente se beneficiam de avaliação imediata e, quando indicado, corticoide intravenoso em alta dose. O seguimento busca diagnosticar causas subjacentes (esclerose múltipla, neuromielite óptica, MOG, neurite infecciosa ou idiopática).

2. Neuropatia óptica isquêmica (NOIA) — a forma arterítica, associada à arterite de células gigantes (ACG), é uma emergência: exige corticoide em alta dose imediatamente para prevenir perda visual no olho contralateral. A forma não-arterítica é manejada com ajuste de fatores de risco cardiovascular.

3. Papiledema e hipertensão intracraniana idiopática — abordagem conjunta com neurologia, controle de peso, inibidores da anidrase carbônica (acetazolamida) e, em casos refratários, intervenção cirúrgica (fenestração de nervo óptico, derivações).

4. Paralisias de nervos cranianos (III, IV, VI) — investigação da causa (microvascular, compressiva, inflamatória, aneurismática), tratamento da condição de base e, quando a diplopia persiste, oclusão de um olho, prismas na armação dos óculos ou cirurgia de estrabismo após estabilização.

5. Compressões tumorais do nervo óptico ou quiasma — investigação de adenomas de hipófise, craniofaringiomas, meningiomas, gliomas e outras lesões, com encaminhamento para neurocirurgia quando indicado.

6. Seguimento em longo prazo — muitas condições neuroftalmológicas são crônicas ou recorrentes e exigem acompanhamento regular com campimetria, OCT do nervo óptico e revisão clínica, em paralelo ao tratamento neurológico ou reumatológico específico.

Equipe médica

Especialista em Neuroftalmologia

O Dr. Samir Cavero Crespo é especialista em Neuroftalmologia pela USP e professor da subespecialidade no Medcof. Atua em integração com neurologia, reumatologia e neurocirurgia no diagnóstico e manejo de neurites, neuropatias ópticas, papiledema e compressões tumorais do nervo óptico.

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Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre neuroftalmologia

Quando devo procurar um neuroftalmologista?

Em casos de perda visual súbita (em um ou nos dois olhos), visão dupla de instalação recente, dor ocular associada ao movimento, queda de pálpebra nova, alterações de pupila, escotomas persistentes, papiledema identificado em exame de rotina, diagnóstico de esclerose múltipla ou neuromielite óptica com queixa visual, e em pacientes com dor de cabeça intensa e atípica associada a sintomas visuais.

O que é papiledema?

É o inchaço do nervo óptico causado por aumento da pressão intracraniana. É um sinal de alerta que exige investigação imediata com ressonância magnética e, frequentemente, punção lombar. Causas incluem hipertensão intracraniana idiopática, tumores cerebrais, trombose venosa cerebral e algumas infecções. O tratamento depende da causa.

Neurite óptica sempre significa esclerose múltipla?

Não. A neurite óptica pode ser a primeira manifestação de esclerose múltipla, mas também pode estar associada a neuromielite óptica (Devic), anticorpos anti-MOG, infecções, doenças autoimunes sistêmicas ou ser idiopática. A investigação com ressonância magnética e exames laboratoriais é essencial para definir a causa e o prognóstico.

Arterite de células gigantes é urgência?

Sim. A arterite de células gigantes (ACG) pode causar perda visual súbita e irreversível em um olho e, sem tratamento imediato, o outro olho pode ser acometido em dias ou semanas. É uma das grandes emergências da neuroftalmologia — pacientes acima de 60 anos com cefaleia temporal, claudicação mandibular, dor e sensibilidade no couro cabeludo e VHS elevada devem ser investigados imediatamente.

O neuroftalmologista substitui o neurologista?

Não. A neuroftalmologia é complementar à neurologia. Muitos pacientes precisam do acompanhamento conjunto dos dois especialistas, além de reumatologia, neurocirurgia e clínica médica quando necessário. O Dr. Samir trabalha em integração com outras especialidades para oferecer cuidado multidisciplinar.

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