Doença

Degeneração macular relacionada à idade (DMRI)

A DMRI é uma doença progressiva que afeta a mácula, a região central da retina responsável pela visão fina. É a principal causa de perda de visão central em pessoas acima de 50 anos nos países desenvolvidos. Existem duas formas: a seca, mais comum e de evolução lenta, e a úmida, menos frequente, porém agressiva. O tratamento da forma úmida mudou radicalmente com os anti-VEGF intravítreos.

Retinografia com sinais de degeneração macular relacionada à idade.
Sintomas

Na fase inicial, muitas vezes não há sintomas — alterações iniciais podem ser identificadas apenas em exames de rotina. À medida que a doença avança, o paciente passa a notar borramento e distorção da visão central, enquanto a visão periférica permanece preservada.

Sinais típicos: dificuldade para ler letras pequenas, embaçamento no centro do campo visual, linhas retas que parecem tortas (metamorfopsia), áreas escuras ou faltantes no centro da visão (escotomas centrais) e cores menos vivas.

Na forma úmida, os sintomas podem surgir rapidamente — em dias ou poucas semanas — por causa de vazamento de líquido ou sangue por baixo da retina. Perda visual súbita ou distorção nova merece avaliação urgente.

O teste da grade de Amsler, feito em casa, ajuda a identificar distorções e escotomas. Cada olho é testado separadamente, cobrindo o outro. Alterações novas devem ser comunicadas ao oftalmologista.

Diagnóstico

O diagnóstico começa com exame oftalmológico completo e mapeamento de retina sob dilatação, que permite identificar drusas (pequenos depósitos amarelados sob a retina), áreas de atrofia e sinais de neovascularização.

A tomografia de coerência óptica (OCT) é o exame mais importante: mostra em detalhe as camadas da retina, identifica líquido sub ou intrarretiniano, drusas, atrofia do epitélio pigmentar e neovascularização. É também o exame usado para guiar o tratamento e monitorar a resposta.

A angiografia com fluoresceína e a angio-OCT ajudam a mapear a neovascularização e decidir sobre tratamento. A retinografia documenta o aspecto do fundo de olho e permite comparar a evolução.

Fatores de risco incluem idade acima de 50 anos, tabagismo (o fator de risco modificável mais importante), história familiar de DMRI, olhos claros, hipertensão, dieta pobre em vegetais e peixes, obesidade e exposição solar sem proteção. Mulheres têm risco ligeiramente maior.

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Tratamento

O tratamento da DMRI seca tem foco na prevenção da progressão e na manutenção da função visual. Parar de fumar é a medida mais impactante. Alimentação rica em folhas verdes, frutas coloridas, peixes e oleaginosas está associada a menor risco de progressão.

Em estágios intermediários, suplementos com a formulação AREDS2 (vitamina C, vitamina E, luteína, zeaxantina, zinco e cobre) podem reduzir o risco de progressão para a forma avançada em parte dos pacientes. A indicação precisa ser discutida com o oftalmologista, porque nem todos se beneficiam.

Novas terapias para atrofia geográfica (forma avançada da DMRI seca) — pegcetacoplana e avacincaptada pegol — foram aprovadas em alguns países e reduzem a velocidade de progressão da atrofia. A disponibilidade e a indicação ainda estão se consolidando na prática clínica brasileira.

A DMRI úmida mudou de prognóstico radicalmente com a chegada dos antiangiogênicos (anti-VEGF) intravítreos. As medicações disponíveis incluem ranibizumabe, aflibercepte, aflibercepte HD, brolucizumabe e faricimabe (Vabysmo). Todas são aplicadas por injeção no olho, sob anestesia local, em ambulatório.

A fase inicial de tratamento envolve aplicações mensais (dose de ataque, geralmente 3 a 4 injeções). Depois, o intervalo é ajustado conforme a resposta, em protocolo 'treat-and-extend', com base nos achados do OCT. Muitos pacientes conseguem intervalos de 8 a 16 semanas entre aplicações.

O tratamento é crônico: não 'cura' a doença, mas estabiliza e, em muitos casos, melhora a visão. A aderência ao esquema de retornos é essencial — interrupções podem permitir que a doença volte a progredir e comprometa a visão de forma irreversível.

Reabilitação visual com auxílios ópticos (lupas, filtros, iluminação adequada, aplicativos e softwares de acessibilidade) é parte importante do cuidado em pacientes com perda central já estabelecida.

Equipe médica

Nossos especialistas em retina

O acompanhamento da DMRI exige um especialista em retina e o uso regular de exames de imagem de alta definição. Na Ortolan Oftalmologia, indicamos, aplicamos e acompanhamos injeções intravítreas de anti-VEGF e monitoramos a resposta com OCT e angio-OCT.

Dr. Daniel Lani Louzada
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Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre degeneração macular relacionada à idade (dmri)

DMRI pode causar cegueira total?

Não. A DMRI compromete a visão central, mas a visão periférica costuma ser preservada. O impacto funcional é grande (leitura, reconhecimento de rostos, direção), mas o paciente não fica totalmente cego.

Preciso tomar suplementos?

Apenas em estágios específicos da DMRI seca, quando a formulação AREDS2 está indicada. Não é útil na forma úmida nem em estágios muito iniciais. A indicação deve ser feita pelo oftalmologista.

As injeções doem?

Não. A aplicação é feita com anestesia tópica (colírio) e dura poucos segundos. A maioria dos pacientes relata apenas leve desconforto.

Se eu tenho DMRI em um olho, vou desenvolver no outro?

O risco é maior, sim. Por isso o olho contralateral precisa ser acompanhado periodicamente, com OCT e retinografia, mesmo que ainda não tenha alterações.

Parar de fumar realmente ajuda?

Muito. O tabagismo é o fator de risco modificável mais importante. Parar de fumar reduz significativamente o risco de progressão para a forma avançada da doença.

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