Cirurgia

Injeção intravítrea (intraocular)

A injeção intravítrea, também chamada de injeção intraocular, é um procedimento em que o oftalmologista aplica um medicamento diretamente dentro do vítreo — o gel que preenche o interior do olho. Essa via permite levar a droga diretamente ao alvo terapêutico (retina, mácula e nervo óptico), com alta concentração local e baixa exposição sistêmica, atravessando as barreiras oculares que impedem a penetração de colírios. É o tratamento-padrão para várias doenças graves da retina e da mácula, como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) na forma exsudativa, o edema macular diabético, as oclusões vasculares da retina e as uveítes. Também é usada para tratar infecções intraoculares graves (endoftalmites). Na Ortolan Oftalmologia, as injeções intravítreas são conduzidas pelo Dr. Lucca Ortolan e pelo Dr. Daniel Omote.

DMRI ÚMIDA
Degeneração macular exsudativa com neovasos
EDEMA DIABÉTICO
Edema macular da retinopatia diabética
OCLUSÕES VENOSAS
Edema macular por CRVO ou BRVO
Oftalmologista realizando injeção intravítrea — agulha fina entrando na esclera após antissepsia e colocação do blefarostato.
Diagrama dos quatro quadrantes do olho direito — superotemporal, superonasal, inferotemporal, inferonasal.

Como funciona e para quem costuma ser indicada

Por Dr. Lucca Ortolan e Dr. Daniel Omote

Diagrama dos quatro quadrantes do olho direito.
A injeção é feita preferencialmente no quadrante superotemporal, a 3,5–4,0 mm do limbo corneano em olhos fácicos (VegIsGood, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons).

A injeção intravítrea é hoje um dos procedimentos oftalmológicos mais realizados no mundo. Revolucionou o tratamento de doenças da retina que antes levavam à cegueira — especialmente a DMRI úmida e o edema macular diabético. Neste guia, explicamos para que serve a injeção, quais medicamentos são utilizados, como é feita, como é a recuperação, os riscos e os cuidados necessários.

Equipe médica

Nossa equipe para injeções intravítreas

As injeções intravítreas na Ortolan são realizadas pelo Dr. Lucca Ortolan (diretor clínico, cirurgia refrativa, catarata e córnea pela USP) e pelo Dr. Daniel Omote (retina clínica e genética ocular pela USP), com experiência no manejo de DMRI, edema macular diabético, oclusões venosas, uveítes e endoftalmites.

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Para que serve a injeção intravítrea

A injeção intravítrea permite levar o medicamento diretamente ao interior do olho, atravessando as barreiras anatômicas (córnea, conjuntiva, cristalino) e dinâmicas (lágrima, humor aquoso) que bloqueiam o acesso dos colírios à retina. Como o medicamento é aplicado exatamente onde precisa agir, é possível atingir concentrações terapêuticas com doses muito menores do que seriam necessárias por via oral ou endovenosa — reduzindo os efeitos colaterais sistêmicos.

As principais indicações incluem:

  • DMRI exsudativa (úmida) — a forma neovascular da degeneração macular relacionada à idade, em que há crescimento anormal de vasos sanguíneos sob a retina. Hoje o tratamento-padrão são as injeções de anti-VEGF.
  • Edema macular diabético — o acúmulo de líquido na mácula em pacientes com retinopatia diabética. Também tratado com anti-VEGF e, em alguns casos, corticoides.
  • Oclusões vasculares da retina — tanto arteriais quanto venosas (CRVO, BRVO), quando há edema macular ou neovascularização associados.
  • Uveítes posteriores e intermediárias — uso de corticoides intravítreos, como implantes de dexametasona (Ozurdex) e triancinolona.
  • Endoftalmite — infecção intraocular grave. O tratamento de primeira linha é a injeção de antibióticos intravítreos (vancomicina + ceftazidima) — uma emergência oftalmológica.
  • Retinite por citomegalovírus (CMV) e outras retinites infecciosas — com antivirais como ganciclovir e foscarnet.
  • Retinopatia da prematuridade — em casos selecionados, como alternativa ou complemento à fotocoagulação.
  • Neovascularização de coroide de outras causas (miopia patológica, estrias angioides, idiopática).
  • Terapia gênica ocular — uma fronteira em evolução, com produtos já aprovados para neuropatia óptica hereditária de Leber e em investigação para DMRI e distrofias retinianas.

Principais categorias de medicamentos

1. Anti-VEGF (antiangiogênicos). São a classe mais utilizada. Bloqueiam o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), que estimula o crescimento anormal de vasos sanguíneos e aumenta a permeabilidade vascular — dois fenômenos centrais na DMRI úmida, no edema diabético e nas oclusões venosas. Os principais são o aflibercept (Eylea), o ranibizumab (Lucentis), o bevacizumab (Avastin) (uso off-label, amplamente consagrado pela eficácia e custo acessível), o brolucizumab (Beovu) e o faricimab (Vabysmo).

2. Corticoides. Usados para reduzir inflamação e edema. Incluem a triancinolona e os implantes de dexametasona (Ozurdex) e fluocinolona (Iluvien), que liberam o medicamento lentamente por meses. Indicados em edema macular diabético refratário, edema por oclusão venosa, uveítes posteriores e edema macular cistoide pós-cirúrgico.

3. Antibióticos e antifúngicos. Vancomicina, ceftazidima, amicacina, voriconazol e anfotericina B — usados em endoftalmites bacterianas ou fúngicas. O tratamento é individualizado de acordo com cultura e antibiograma quando possível.

4. Antivirais. Ganciclovir, foscarnet e cidofovir — para retinites virais, principalmente em pacientes imunossuprimidos.

5. Terapia gênica. Vetores virais adeno-associados (AAV) carregando genes terapêuticos diretamente às células da retina. Exemplos: Luxturna (voretigene neparvovec, para distrofia por RPE65) e Lumevoq (para neuropatia óptica de Leber).

Como é feita a injeção

A injeção intravítrea é realizada em consultório ou centro cirúrgico, em um ambiente com condições de assepsia adequadas. O procedimento é rápido — geralmente leva poucos minutos — e o paciente vai para casa no mesmo dia, sem necessidade de sedação geral.

Preparação

  • Avaliação completa da acuidade visual, pressão intraocular, segmento anterior e OCT de mácula antes da injeção.
  • Dilatação da pupila para permitir exame do fundo de olho após o procedimento.
  • Anestesia tópica em colírio (tetracaína, proparacaína) ou gel (lidocaína 2%). Em olhos mais sensíveis, pode-se usar algodão embebido em anestésico sobre a conjuntiva.
  • Antissepsia rigorosa com iodopovidona (PVP-I) 5% em toda a pálpebra, cílios e superfície ocular. A iodopovidona é a medida isolada mais importante para prevenir endoftalmite.
  • Uso de blefarostato (afastador de pálpebras) para manter o olho aberto sem que os cílios toquem o local da injeção.
  • Uso de máscara facial pelo paciente e pela equipe, e silêncio durante o procedimento — evidência mostra que gotículas respiratórias contaminam a superfície ocular e aumentam o risco de infecção por Streptococcus.

A injeção propriamente dita

O medicamento é aplicado com uma agulha muito fina (30–33 gauge), no quadrante superotemporal (um dos mais utilizados por ser anatomicamente mais acessível), a uma distância de 3,5 a 4,0 mm do limbo corneano em olhos com cristalino natural (fácicos) ou 3,0 a 3,5 mm em olhos pseudofácicos (com lente intraocular). Essa distância evita lesar o cristalino de um lado e a retina periférica do outro.

O paciente é orientado a olhar para o lado oposto ao da injeção. A agulha atravessa a conjuntiva, a esclera e a pars plana, entrando na cavidade vítrea. O cirurgião injeta o volume pré-determinado do medicamento (geralmente 0,05 mL), retira a agulha rapidamente e pressiona brevemente o ponto de injeção com um cotonete estéril para evitar refluxo.

Após a injeção

  • Verificação da perfusão do nervo óptico e da pressão intraocular após a injeção — pode haver elevação transitória da pressão pelo aumento de volume no vítreo.
  • Orientações ao paciente: evitar coçar, pressionar ou lavar o olho operado com água nas primeiras horas.
  • Evitar piscinas, mar e sauna por alguns dias.
  • Uso eventual de colírios lubrificantes para aliviar a sensação de areia causada pela antissepsia.
  • Procurar imediatamente o oftalmologista em caso de dor intensa, piora súbita da visão, vermelhidão importante, fotofobia acentuada ou secreção — possíveis sinais de endoftalmite.

Retornos e tratamento repetido

A maioria das doenças tratadas por injeção intravítrea é crônica e recorrente. Para a DMRI úmida, o edema diabético e as oclusões venosas, as injeções costumam ser repetidas ao longo do tempo — mensalmente no início, e depois em intervalos crescentes conforme a resposta (*treat and extend*). Alguns pacientes recebem dezenas de injeções ao longo de anos.

O acompanhamento periódico com OCT de mácula é fundamental para avaliar a resposta e ajustar o intervalo entre doses. Em pacientes bem controlados, pode-se estender o intervalo para até 3 a 4 meses, reduzindo o fardo de múltiplas consultas.

Riscos e complicações

Apesar de ser um procedimento seguro na imensa maioria dos casos, a injeção intravítrea envolve riscos. A maioria é transitória e tratável, mas algumas complicações podem ser graves e exigem atenção imediata.

Complicações mais frequentes (leves)

  • Hemorragia subconjuntival — é a complicação mais comum (cerca de 10% das injeções). É apenas estética, aparece como uma mancha vermelha na esclera e desaparece sozinha em 1 a 2 semanas.
  • Desconforto, ardência e sensação de areia — geralmente pela antissepsia com iodo, não pela agulha. Melhora em algumas horas.
  • Moscas volantes (floaters) temporárias — partículas do próprio medicamento sendo reabsorvidas.
  • Elevação transitória da pressão intraocular nos minutos após a injeção. Em pacientes com glaucoma pré-existente, monitoramento mais frequente é recomendado.

Complicações graves (raras)

  • Endoftalmite (infecção intraocular) — é a complicação mais temida. Ocorre em cerca de 1 a cada 2.000 a 5.000 injeções. Sintomas: dor intensa, piora súbita da visão, olho vermelho, fotofobia e secreção, geralmente entre 2 e 7 dias após a injeção. É uma emergência — exige avaliação imediata e tratamento com antibióticos intravítreos e, às vezes, vitrectomia.
  • Descolamento de retina regmatogênico — complicação rara (até 0,67% dos casos). Pode ocorrer por tração na base do vítreo durante a retirada da agulha ou em olhos predispostos (alta miopia, cirurgia prévia).
  • Hemorragia vítrea — incomum, costuma ser autolimitada.
  • Lesão do cristalino (catarata traumática) — se a agulha atinge acidentalmente o cristalino. Muito rara com técnica adequada.
  • Uveíte estéril (pseudoendoftalmite) — inflamação intraocular sem infecção, associada a certos lotes de medicamentos ou impurezas. Responde a corticoides tópicos.
  • Elevação sustentada da pressão intraocular — em pacientes submetidos a múltiplas injeções repetidas de anti-VEGF, pode haver aumento cumulativo da pressão, com risco de glaucoma secundário. A monitorização é essencial.
  • Hemorragia coroidea, subretiniana ou macular — rara, associada a fatores de risco individuais (uso de anticoagulantes, aspirina em altas doses).

Quando procurar atendimento imediato

Qualquer um dos seguintes sinais nas primeiras 72 horas após a injeção exige avaliação oftalmológica urgente:

  • Dor intensa que não melhora com analgésico comum.
  • Piora súbita da visão no olho injetado.
  • Vermelhidão progressiva, fotofobia importante ou inchaço da pálpebra.
  • Secreção purulenta saindo do olho.
  • Flashes de luz, grande aumento de moscas volantes ou sensação de cortina no campo visual (sinais de descolamento de retina).

A equipe da Ortolan

As injeções intravítreas na Ortolan Oftalmologia são realizadas pelo Dr. Lucca Ortolan Hansen — diretor clínico, médico oftalmologista e doutor em Oftalmologia pela USP — e pelo Dr. Daniel Omote, especialista em Retina Clínica e Genética Ocular pela USP. Ambos seguem protocolos atualizados de antissepsia e segurança derivados do consenso internacional (Euretina, AAO) no manejo de DMRI, edema macular diabético, oclusões venosas, uveítes e endoftalmites.

O conteúdo desta página tem intuito informativo e educacional. Não deve servir como base para diagnóstico ou tratamento sem a realização de consulta médica oftalmológica com aconselhamento personalizado.

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Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre injeção intravítrea (intraocular)

A injeção intravítrea dói?

A injeção é feita com anestesia tópica (colírio ou gel) e agulha muito fina. A maioria dos pacientes sente apenas uma leve pressão momentânea. A ardência que aparece depois vem da iodopovidona usada na antissepsia, não da agulha — costuma melhorar em algumas horas com colírio lubrificante.

Com que frequência preciso fazer a injeção?

Depende da doença e da resposta individual. Em DMRI úmida e edema macular diabético, o esquema clássico começa com 3 injeções mensais de 'carga' e depois é espaçado conforme a evolução — abordagens como 'treat and extend' permitem intervalos crescentes de até 3 a 4 meses em pacientes estáveis. Algumas pessoas fazem apenas 1 a 2 injeções e outras precisam de dezenas ao longo dos anos.

Quais medicamentos costumam ser usados?

Os mais comuns são os anti-VEGF (aflibercept/Eylea, ranibizumab/Lucentis, bevacizumab/Avastin, faricimab/Vabysmo), usados para DMRI úmida, edema macular diabético e oclusões venosas. Também se usam corticoides (triancinolona, implante de dexametasona/Ozurdex, implante de fluocinolona/Iluvien) e, em casos específicos, antibióticos para endoftalmite ou antivirais para retinite.

Quais são os riscos de infecção?

O risco de endoftalmite (infecção intraocular) é muito baixo — cerca de 1 em cada 2.000 a 5.000 injeções — mas é a complicação mais temida. A antissepsia com iodopovidona, o uso de máscara, o silêncio durante o procedimento e a técnica cuidadosa reduzem drasticamente o risco. Dor intensa, piora da visão ou olho muito vermelho nos primeiros dias são sinais de alerta e exigem avaliação imediata.

Posso dirigir depois da injeção?

Se a visão do outro olho é boa, pode ser razoável dirigir após a injeção, dependendo da orientação do seu médico. O olho injetado fica com a visão embaçada temporariamente pela antissepsia com iodo e pode ficar vendo pequenas bolhas de ar por alguns dias. Pode ser incômodo dirigir, especialmente se é seu olho único.

A injeção substitui cirurgia?

Em muitos casos, sim. Antes da era dos anti-VEGF, a DMRI úmida levava à cegueira inevitável — hoje, as injeções permitem estabilizar e até melhorar a visão na maioria dos pacientes. Em outras doenças, a injeção é parte do tratamento, associada a laser, vitrectomia ou controle clínico da condição de base (diabetes, hipertensão, uveíte).

Por que é preciso repetir as injeções?

As doenças tratadas são crônicas. O medicamento age por algumas semanas e depois é metabolizado; sem novas doses, o edema ou a neovascularização tendem a voltar. O acompanhamento com OCT de mácula permite ajustar o intervalo entre as injeções para cada paciente.

★★★★★

Fiz cirurgia refrativa com o Dr. Lucca e o resultado foi perfeito. Acordei no outro dia enxergando 100% sem óculos. Equipe atenciosa e clínica impecável.

Carolina M.Dr. Lucca Ortolan
★★★★★

Operei catarata dos dois olhos com lente premium trifocal. Hoje leio, trabalho no computador e dirijo sem óculos. Dr. Lucca explicou cada detalhe com paciência.

Aparecida S.Dr. Lucca Ortolan
★★★★★

A Dra. Nicole cuidou do meu ceratocone e fez o crosslinking. Profissional extremamente competente, me senti segura do início ao fim.

Mariana F.Dra. Nicole Bulgarão
★★★★★

Dr. Daniel Omote operou meu descolamento de retina em caráter de urgência. Salvou minha visão. Profissional excepcional, super didático.

Roberto A.Dr. Daniel Omote
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