Mini guia de adaptação

Lentes de contato esclerais

A lente escleral costuma entrar em cena quando o paciente precisa de qualidade visual, estabilidade e conforto mesmo com uma córnea bastante alterada.

Diferentemente da lente rígida menor, a escleral apoia-se mais na esclera e forma um reservatório de lágrima sobre a córnea. Isso faz dela uma opção muito valiosa para ceratocone mais avançado, córneas muito irregulares, pós-transplante corneano e alguns casos com ressecamento ocular importante.

Lente escleral posicionada sobre um olho humano.
Em resumo

O que mais importa para o paciente

Muito úteis em ceratocone avançado e córneas bastante irregulares.

Podem oferecer mais conforto do que a rígida corneana em certos casos.

Costumam ajudar em pós-transplante corneano e em olho seco selecionado.

Exigem adaptação especializada e seguimento próximo.

Como a lente escleral funciona

A lente escleral não fica apoiada no centro da córnea como uma lente rígida corneana tradicional. Ela cria um espaço preenchido por lágrima entre a lente e a córnea, enquanto o apoio acontece mais na parte branca do olho.

Na prática, isso pode trazer duas vantagens muito importantes: reduzir o impacto da irregularidade corneana na visão e aumentar o conforto em olhos que não toleram bem lentes menores.

Quando ela costuma ser uma ótima opção

Em pacientes com ceratocone mais avançado, ectasias corneanas, irregularidade importante após transplante de córnea ou desconforto com outros desenhos, a lente escleral costuma entrar forte na conversa.

Depois do transplante, especialmente quando a córnea ficou mais plana em alguns pontos, mais curva em outros, ou com astigmatismo elevado, a escleral pode ajudar a entregar mais estabilidade visual e conforto ao longo do dia.

Ceratocone com curvatura muito aumentada ou irregular.

Pós-transplante corneano com astigmatismo irregular.

Pacientes que não se adaptaram bem à rígida corneana menor.

Alguns casos de superfície ocular comprometida ou ressecamento relevante.

Adaptação e rotina

A adaptação costuma ser detalhada e pode exigir mais de uma prova. O encaixe, o reservatório de lágrima, a troca lacrimal e a pressão em volta do olho precisam ser observados com cuidado.

Como a lente é maior, o manuseio também é diferente. O treinamento de colocação, retirada e higiene faz parte do sucesso do tratamento.

Rígida ou escleral: como essa decisão costuma ser feita

A escolha depende do formato da córnea, da qualidade visual buscada, do nível de irregularidade, do conforto e do que funcionou - ou não funcionou - em tentativas anteriores.

Por isso, a melhor resposta raramente nasce só do nome da lente. Ela nasce da avaliação clínica, dos exames da córnea e do teste real do paciente.

O reservatório de lágrima: por que essa ideia muda tudo

O diferencial técnico da lente escleral é criar um reservatório de soro fisiológico (ou solução estéril equivalente) entre a parte interna da lente e a superfície da córnea. Esse reservatório funciona como uma lente líquida perfeita, sem interfaces irregulares: como consequência, toda a irregularidade corneana desaparece oticamente durante o uso da lente. O sistema óptico passa a se comportar como se a córnea fosse totalmente regular.

Na prática, isso significa que pacientes com ceratocone avançado, córnea pós-transplante ou ectasia pós-cirurgia refrativa — que muitas vezes só enxergavam linhas borradas com óculos — podem recuperar uma visão de alta qualidade com a lente escleral.

Além do benefício óptico, o reservatório mantém a córnea em contato constante com um líquido estéril, o que é uma grande vantagem em olhos secos severos e em doenças da superfície ocular, como ceratoconjuntivite límbica superior, doença do enxerto-contra-hospedeiro (GVHD), síndrome de Stevens-Johnson e sequelas de queimaduras químicas.

Colocação e retirada: técnica diferente, porém aprendida

Colocar uma lente escleral é diferente de colocar uma lente comum. Ela é maior e precisa ser preenchida com solução estéril antes de ir no olho — sem bolhas, sem derramamento, com a cabeça apoiada ou inclinada sobre um espelho ou superfície plana. No início, parece complicado; na prática, a maioria dos pacientes domina a técnica em dois a cinco dias.

Para retirar, usa-se um ventosa de silicone pequena (plunger) que fixa na superfície externa da lente e permite removê-la com delicadeza. Esse acessório é barato, fácil de higienizar e se torna parte da rotina — como o estojo e as soluções.

O treinamento de colocação e retirada faz parte da adaptação e é feito presencialmente no consultório. Nenhum paciente sai com a lente sem ter feito ao menos uma prática com a equipe.

Soluções, higiene e ambiente de aplicação

Apenas solução estéril (soro fisiológico sem conservantes em frasco pequeno ou ampola, conforme orientação) deve ser usada para preencher a lente antes da colocação. Nunca água de torneira ou água mineral — a contaminação por Acanthamoeba é um risco real e temido em usuários de lentes rígidas e esclerais.

A limpeza das lentes usa produtos específicos para rígidas gás-permeáveis, e o estojo deve ser trocado periodicamente. As mãos precisam estar bem lavadas e secas para evitar trazer sujeira ou contaminação para a lente.

Quando bem feita, a rotina é segura e simples. Complicações graves são incomuns em pacientes que seguem as orientações, e a lente escleral tem um dos melhores perfis de segurança entre as opções para córneas irregulares.

Quando a lente escleral não é suficiente

Nem todo olho é candidato a escleral. Córneas com opacidade muito importante, edema corneano crônico (hidropsia sequelar), indicação cirúrgica já estabelecida (por exemplo, transplante planejado em curto prazo) ou inflamação ativa podem exigir tratamento específico antes da adaptação.

Também há pacientes cuja visão não melhora o suficiente mesmo com escleral — nesses casos, a conversa passa a envolver outras estratégias, como anel intraestromal, crosslinking, transplante corneano ou combinação de técnicas.

Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

Lente escleral costuma ser indicada para ceratocone?

Com bastante frequência, principalmente quando a córnea está muito irregular ou quando a qualidade visual e o conforto com outros desenhos não ficaram bons.

Ela pode ajudar depois do transplante de córnea?

Sim. Em muitos pacientes pós-transplante, a lente escleral é considerada justamente porque consegue lidar melhor com astigmatismo irregular e curvaturas assimétricas.

Ela costuma ser mais confortável do que a rígida pequena?

Em muitos casos, sim. Como o apoio é diferente e a córnea fica mais protegida, vários pacientes descrevem conforto melhor com a lente escleral.

Escleral pode ser usada em olho seco severo?

Sim, e essa é uma das indicações mais interessantes. O reservatório de líquido entre a lente e a córnea mantém a superfície ocular hidratada durante todo o uso, o que pode ser um alívio importante em olhos secos graves que não respondem bem a colírios e tratamentos convencionais.

É difícil aprender a colocar?

Nas primeiras tentativas pode parecer complicado, sim, porque a técnica é diferente das lentes comuns. Mas a grande maioria dos pacientes domina o processo em poucos dias. O treinamento presencial no consultório é parte da adaptação e costuma incluir técnicas alternativas para diferentes perfis de pacientes.

Posso dormir com lente escleral?

Não. A lente escleral é feita para uso diário. Dormir com ela aumenta significativamente o risco de infecção da córnea e pode alterar o equilíbrio do reservatório de lágrima, reduzindo a oxigenação da córnea.

Quanto tempo posso usar por dia?

A maioria dos pacientes usa a lente escleral durante todo o período acordado, de 10 a 14 horas, sem problemas. Em alguns casos, recomenda-se uma 'pausa' no meio do dia para trocar o reservatório de soro e recolocar a lente, especialmente se houver depósitos ou diminuição do conforto.

A lente escleral substitui a cirurgia de transplante de córnea?

Em muitos casos de ceratocone, ela pode adiar ou evitar a necessidade de transplante, porque oferece excelente visão sem procedimento cirúrgico. Essa é uma das maiores vantagens desse desenho. No entanto, quando há cicatrizes centrais importantes, edema crônico ou córnea estruturalmente muito comprometida, o transplante ainda pode ser necessário.

Qual o custo em relação a outras lentes?

A lente escleral tem custo inicial mais alto que lentes gelatinosas e rígidas corneanas tradicionais. A adaptação exige consultas especializadas, lentes de prova e, muitas vezes, ajustes no desenho. Em contrapartida, a durabilidade é boa (um a três anos em média) e o ganho visual em casos complexos é geralmente incomparável, o que costuma justificar o investimento.

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Na Ortolan Oftalmologia, a adaptação de lentes rígidas, esclerais e gelatinosas é conduzida por especialistas em córnea formados pela USP, com grande experiência em ceratocone, olho seco severo e casos pós-cirúrgicos.

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