Doença

Glaucoma

O glaucoma é um grupo de doenças que lesiona progressivamente o nervo óptico, o cabo que leva a informação visual do olho para o cérebro. É a principal causa de cegueira irreversível no mundo e, na forma mais comum, evolui em silêncio por anos — sem dor e sem sintomas iniciais. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado permitem estabilizar a doença e preservar a visão útil por décadas.

Retinografia de fundo de olho usada no rastreamento do glaucoma.
Sintomas

Na forma mais comum (glaucoma primário de ângulo aberto), os primeiros anos de doença costumam ser totalmente assintomáticos. A perda visual começa pela periferia do campo visual, progride lentamente e só é percebida quando uma parcela significativa das fibras do nervo óptico já foi perdida.

Nas fases mais avançadas, o paciente passa a notar dificuldade para enxergar objetos laterais, esbarrar em quinas, perder bolas em esportes, dirigir com menos segurança e, eventualmente, percepção de 'visão em túnel'. A visão central costuma ser preservada até o final da doença.

No glaucoma agudo de ângulo fechado, o quadro é bem diferente: dor ocular intensa, vermelhidão, náuseas, vômitos, visão borrada, halos coloridos ao redor das luzes e, às vezes, olho que endurece ao toque. É uma emergência médica que exige atendimento imediato.

Alguns tipos específicos podem apresentar sintomas atípicos: glaucoma de pressão normal evolui com pressão ocular aparentemente normal; glaucoma congênito aparece em bebês com fotofobia, lacrimejamento e olho grande; glaucoma secundário pode se associar a uveítes, trauma, uso crônico de corticoide, diabetes avançada e cirurgias prévias.

Diagnóstico

Nenhum exame isolado fecha o diagnóstico de glaucoma — a avaliação é feita juntando vários elementos. A tonometria mede a pressão intraocular, fator de risco mais importante e o único realmente modificável. A paquimetria mede a espessura corneana, que corrige o valor real da pressão.

A gonioscopia permite examinar o ângulo iridocorneano, onde o humor aquoso escoa, e diferenciar ângulo aberto de ângulo fechado. O exame do nervo óptico (fundoscopia) avalia a relação escavação/disco, assimetria entre os olhos e sinais de perda de fibras.

A tomografia de coerência óptica (OCT) mede a espessura da camada de fibras nervosas e das células ganglionares da retina, e é capaz de detectar perda de tecido antes mesmo que o paciente tenha qualquer alteração no campo visual. É hoje uma das ferramentas mais sensíveis para diagnóstico precoce.

A campimetria computadorizada (perimetria) mapeia o campo visual e documenta áreas de perda, permitindo acompanhar progressão ao longo do tempo. Em casos selecionados, retinografia, angio-OCT e exames de imagem complementares ajudam.

Fatores de risco que devem levar a uma avaliação oftalmológica específica incluem idade acima de 40 anos, história familiar de glaucoma, ascendência africana ou hispânica, miopia alta, córnea fina, uso prolongado de corticoides, diabetes, apneia do sono e histórico de trauma ou cirurgia ocular.

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Tratamento

O objetivo do tratamento é reduzir a pressão intraocular até uma 'pressão-alvo' segura, individualizada para cada paciente, com base no estágio da doença, na velocidade de progressão e no estado do nervo óptico. Esse é o único mecanismo comprovado para mudar o curso da doença.

O tratamento clínico de primeira linha envolve colírios hipotensores. As principais classes são: análogos de prostaglandina (uma gota à noite, muito eficazes), beta-bloqueadores, inibidores da anidrase carbônica tópicos, alfa-agonistas e inibidores de Rho-quinase. Combinações fixas reduzem o número de gotas diárias e melhoram a aderência.

A trabeculoplastia seletiva a laser (SLT) é uma opção ambulatorial, indolor e segura. O estudo LiGHT, publicado em 2019, mostrou que começar com SLT em vez de colírios é pelo menos tão eficaz — e deixou 74% dos pacientes sem necessidade de colírios após três anos. Por isso, hoje o SLT é considerado tratamento de primeira linha em muitos casos.

Quando colírios e laser não atingem a pressão-alvo, ou quando a doença continua progredindo, entram as cirurgias filtrantes. A trabeculectomia cria uma nova via de escoamento do humor aquoso para um espaço subconjuntival (bolsa filtrante). Os implantes de tubo de drenagem (Ahmed, Baerveldt, Molteno) são alternativas em glaucomas refratários ou após falha da trabeculectomia.

Cirurgias minimamente invasivas (MIGS — iStent, Hydrus, Xen e outras) ampliaram o leque de opções, especialmente em casos leves a moderados ou associadas à cirurgia de catarata. Cada técnica tem indicações específicas, discutidas caso a caso.

Glaucoma não tem cura: o dano já feito ao nervo óptico não volta. Mas, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é plenamente possível estabilizar a doença e preservar a visão útil por décadas. Consultas regulares, uso disciplinado dos colírios e acompanhamento com OCT e campimetria são a base do sucesso a longo prazo.

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O glaucoma é uma doença crônica silenciosa, e o acompanhamento por um especialista faz diferença decisiva na preservação da visão. Na Ortolan Oftalmologia, oferecemos o espectro completo de cuidado em glaucoma, do tratamento clínico às cirurgias filtrantes mais modernas.

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Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre glaucoma

Glaucoma tem cura?

Não. O dano já feito ao nervo óptico não volta. Mas é plenamente possível estabilizar a doença com tratamento adequado e preservar a visão útil por décadas, especialmente quando o diagnóstico é feito cedo.

Se a minha pressão ocular está normal, posso ter glaucoma?

Sim. O glaucoma de pressão normal é uma entidade reconhecida: o nervo óptico sofre dano apesar de a pressão medida estar dentro do 'normal'. Por isso o diagnóstico nunca depende só da pressão.

Vou precisar usar colírio para sempre?

Em muitos casos, sim. Em outros, o SLT (laser) ou cirurgias filtrantes permitem reduzir ou até suspender colírios por anos. A escolha é individualizada.

Com que frequência devo fazer exames se já tenho glaucoma?

Geralmente a cada 3 a 6 meses para medir pressão e, periodicamente, OCT e campo visual. Em casos instáveis, os retornos podem ser mais próximos.

Meus filhos devem fazer exame se eu tenho glaucoma?

Sim. A história familiar é um dos principais fatores de risco. Recomenda-se avaliação oftalmológica em filhos e irmãos de portadores de glaucoma, idealmente a partir dos 30 a 40 anos — ou antes, se houver qualquer sintoma.

Fontes confiáveis

Referências para aprofundar a leitura com segurança.

Essas referências servem para complementar a leitura. A decisão diagnóstica e terapêutica deve sempre ser individualizada em consulta oftalmológica.

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