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Descolamento de retina: sinais de alerta e por que é uma emergência

Flashes de luz, moscas volantes que aparecem de repente, sensação de cortina no campo visual. Conheça os sinais que indicam descolamento de retina e saiba por que o atendimento no mesmo dia muda o prognóstico.

Retinografia ilustrando descolamento de retina.

A retina é o tecido fino e sensível à luz que recobre o fundo do olho. Ela funciona como o 'filme' da câmera e precisa estar firmemente aderida à parede interna do globo ocular para captar a imagem com precisão. Quando a retina se solta da parede — o chamado descolamento de retina — ela deixa de receber oxigênio e nutrientes e começa a perder função rapidamente. Sem tratamento, a área descolada pode perder visão de forma permanente.

Instrumentação de vitrectomia 23G usada em descolamentos de retina.

Tipos de descolamento

O descolamento regmatogênico é o mais comum. Ele começa com uma rotura ou um buraco na retina, muitas vezes causado pela tração do vítreo ao se soltar durante o envelhecimento normal do olho. Por essa rotura, o líquido do vítreo entra entre a retina e a parede e a empurra para dentro da cavidade.

Retinografia de referência de fundo de olho saudável para comparação.

O descolamento tracional ocorre principalmente em pacientes com retinopatia diabética avançada, quando tecido cicatricial puxa a retina para dentro. O descolamento exsudativo acontece quando o líquido se acumula embaixo da retina sem rotura, em doenças inflamatórias, tumorais ou vasculares da coroide.

Sintomas que exigem avaliação no mesmo dia

Os principais sinais de alarme são: flashes de luz repetidos (pontos ou riscos luminosos que aparecem mesmo com o olho fechado), aumento súbito de moscas volantes (manchas pretas que se movem no campo de visão), sensação de cortina ou sombra atravessando o campo visual e perda rápida de visão em parte do olho. Esses sintomas costumam ser indolores, o que às vezes leva o paciente a adiar a avaliação.

Se você tem qualquer um desses sintomas, marque um atendimento no mesmo dia. Quanto mais cedo a retina for reposicionada, melhor o prognóstico visual — especialmente se a mácula ainda não descolou.

Como o diagnóstico é feito

No consultório, a avaliação inclui medida da acuidade visual, biomicroscopia, medida da pressão ocular e, principalmente, mapeamento de retina com a pupila dilatada. Esse exame permite ao médico examinar toda a extensão da retina e localizar roturas, áreas de degeneração e o próprio descolamento. Em casos em que a visualização está limitada por sangramento no vítreo, o ultrassom ocular confirma o diagnóstico.

Tratamento cirúrgico: três técnicas principais

A vitrectomia posterior via pars plana é a técnica mais usada em descolamentos recentes e com boa visualização da retina. O cirurgião remove o vítreo, drena o líquido sub-retiniano, trata as roturas com laser ou crio e preenche a cavidade com gás ou óleo de silicone para tamponar a retina enquanto cicatriza.

A introflexão escleral (scleral buckle) consiste em colocar uma faixa de silicone ao redor do olho, que cria uma indentação e empurra a parede do olho em direção à retina solta. É uma técnica clássica, muito útil em pacientes jovens e em algumas situações específicas. A retinopexia pneumática é uma alternativa ambulatorial para casos selecionados: uma bolha de gás é injetada no olho e associada a laser ou crio para tratar a rotura.

Recuperação e risco no outro olho

A recuperação envolve uso disciplinado de colírios, repouso orientado e — quando houver tamponamento com gás — posicionamento da cabeça e restrição de viagens aéreas por algumas semanas. A chance de sucesso anatômico em um único procedimento é alta em casos sem complicações.

Quem já teve descolamento em um olho tem risco aumentado no outro. Por isso, o olho contralateral precisa ser examinado com mapeamento de retina e acompanhado periodicamente, e áreas de degeneração ou roturas assintomáticas podem ser tratadas profilaticamente a laser.

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