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Degeneração macular relacionada à idade (DMRI): o que muda a partir dos 50

A DMRI é uma das principais causas de perda da visão central depois dos 50 anos. Existem duas formas — seca e úmida — e o tratamento moderno mudou radicalmente o prognóstico da forma úmida.

Retinografia mostrando drusas e alterações maculares em DMRI.

A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) afeta a mácula, a região central da retina responsável pela visão fina. É uma das principais causas de perda visual depois dos 50 anos no mundo ocidental. Não causa cegueira total — a visão periférica costuma ser preservada — mas compromete atividades que dependem da visão central, como ler, reconhecer rostos, dirigir e usar o celular.

Injeção intravítrea de anti-VEGF, tratamento da DMRI úmida.

Duas formas: seca e úmida

A DMRI seca (não-exsudativa) é a mais comum e evolui lentamente. Ela se caracteriza pelo aparecimento de drusas (depósitos amarelados sob a retina) e, em estágios avançados, por atrofia geográfica — áreas de perda das células da retina e do epitélio pigmentar. A visão pode piorar de forma gradual ao longo de anos, mas muitos pacientes mantêm função útil por bastante tempo.

A DMRI úmida (exsudativa) é menos frequente, porém mais agressiva: vasos anormais crescem por baixo da retina (neovascularização coroideana), vazam líquido e sangue e podem destruir a mácula em meses ou mesmo semanas. Linhas que ficam tortas, mancha escura central e perda visual súbita são sinais de alarme.

Fatores de risco

Idade acima de 50 anos, história familiar, tabagismo (o fator modificável mais importante), hipertensão arterial, exposição solar sem proteção adequada, dieta pobre em antioxidantes e olhos claros são os principais fatores associados. Parar de fumar e adotar uma alimentação rica em verduras verde-escuras, peixes gordurosos e frutas reduz o risco e a velocidade de progressão.

Diagnóstico

A avaliação inclui exame de fundo de olho com dilatação, retinografia, tomografia de coerência óptica (OCT) de mácula e, em casos de suspeita de forma úmida, angiofluoresceinografia ou angio-OCT. O OCT é especialmente valioso porque mostra a presença de fluido sub-retiniano ou intrarretiniano, drusas e alterações estruturais sutis antes da perda visual se instalar.

Tratamento: a revolução dos antiangiogênicos

Para a DMRI seca, o tratamento é preventivo: controle de fatores de risco, fórmulas vitamínicas com luteína, zeaxantina, vitamina C, E, zinco e cobre (AREDS2) podem reduzir o risco de progressão para a forma úmida ou avançada em pacientes elegíveis. Recentemente, algumas medicações que retardam a progressão da atrofia geográfica foram aprovadas em alguns países.

Para a DMRI úmida, a injeção intravítrea de medicamentos antiangiogênicos (anti-VEGF) mudou completamente o prognóstico nos últimos 20 anos. Medicamentos como ranibizumabe, aflibercepte, brolucizumabe e, mais recentemente, faricimabe (Vabysmo) e aflibercepte de alta dose (Eylea HD) bloqueiam o crescimento dos vasos anormais, reduzem o vazamento e, na maioria dos casos, estabilizam ou melhoram a visão. O tratamento exige aplicações repetidas, geralmente mensais no início e depois espaçadas conforme a resposta do olho.

O papel da autovigilância

Quem tem DMRI deve aprender a usar a grade de Amsler em casa. É um teste simples: olhando para o ponto central da grade, o paciente verifica se alguma linha aparece torta, desfocada ou ausente. Qualquer mudança nova é motivo para avaliação rápida — pode ser o primeiro sinal de conversão para a forma úmida, e quanto antes o tratamento começa, melhor o prognóstico visual.

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