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Vabysmo (faricimabe): dois alvos em uma só injeção e intervalos maiores

O faricimabe é o primeiro medicamento intravítreo a bloquear simultaneamente VEGF e Angiopoietina-2. Entenda o mecanismo, para quem é indicado, o que os estudos TENAYA/LUCERNE e YOSEMITE/RHINE mostraram e por que a durabilidade entrou no centro do debate.

Exame de retina em paciente em tratamento com antiangiogênico intravítreo.

O faricimabe (nome comercial Vabysmo) é o primeiro medicamento intravítreo com mecanismo de ação duplo: bloqueia, ao mesmo tempo, o VEGF-A (fator de crescimento endotelial vascular) e a Angiopoietina-2 (Ang-2). Essa abordagem foi desenhada para atacar dois caminhos envolvidos na instabilidade dos vasos sanguíneos da retina e, com isso, oferecer controle mais prolongado da doença — especialmente em degeneração macular relacionada à idade (DMRI) úmida, edema macular diabético e oclusão de veia da retina com edema.

Retinografia de edema macular diabético, uma das indicações do faricimabe.

Por que dois alvos, não apenas VEGF

Durante quase duas décadas, os antiangiogênicos para retina focaram exclusivamente no VEGF, e os resultados foram revolucionários. Mas, na prática, muitos pacientes continuam precisando de aplicações frequentes para manter a retina seca — e o efeito tende a diminuir se o intervalo se alonga demais. A Angiopoietina-2, elevada em áreas de vasos anormais, aumenta a permeabilidade vascular, promove inflamação e torna os vasos mais instáveis. Bloqueando Ang-2 junto com VEGF, o faricimabe procura estabilizar os vasos por mais tempo e, assim, permitir intervalos maiores entre aplicações.

O que os estudos mostraram

Em DMRI úmida, os estudos TENAYA e LUCERNE compararam faricimabe com aflibercepte tradicional. Os resultados foram semelhantes em eficácia visual, mas o faricimabe permitiu intervalos de 12 a 16 semanas em uma parcela significativa dos pacientes já no segundo ano de tratamento. Em edema macular diabético, os estudos YOSEMITE e RHINE mostraram resultado semelhante, com boa proporção de pacientes mantidos em intervalos de 16 semanas e ganhos visuais comparáveis ao aflibercepte.

Mais recentemente, o COMINO e o BALATON trouxeram evidência favorável em oclusão de veia da retina com edema macular. A tendência clara dos estudos é que, em mãos bem orientadas e com critérios de extensão adequados, o faricimabe oferece uma ferramenta concreta para reduzir a carga de injeções sem perder o controle da doença.

Para quem faz mais sentido

Pacientes com DMRI úmida, edema macular diabético ou oclusão venosa de retina que precisam de aplicações frequentes (a cada 4 a 6 semanas) e que têm dificuldade para manter essa cadência são candidatos naturais. Pacientes novos também podem começar com faricimabe, especialmente em cenários em que a logística de aplicações frequentes é um problema.

A troca de anti-VEGF tradicional para faricimabe é uma decisão individual, tomada em conjunto com o retinólogo, levando em conta resposta prévia, características do olho no OCT, histórico de intolerância a medicamentos e metas do tratamento.

Segurança

O perfil de segurança observado nos estudos foi comparável ao dos demais anti-VEGF. Os riscos gerais de injeções intravítreas — baixos, mas reais — incluem endoftalmite, descolamento de retina, hemorragia vítrea, aumento da pressão ocular e, muito raramente, vasculite intraocular. O acompanhamento próximo nos dias seguintes a cada aplicação faz parte do cuidado padrão.

Vabysmo ou Eylea HD?

São dois caminhos diferentes para o mesmo objetivo prático: manter a retina seca por mais tempo com menos aplicações. Vabysmo aposta em um mecanismo duplo (anti-VEGF e anti-Ang2). Eylea HD aposta em uma dose quatro vezes maior de aflibercepte. Na prática, ambos permitiram intervalos estendidos em parcelas significativas de pacientes em seus estudos pivotais. A escolha final depende da experiência do médico, da resposta do paciente, da disponibilidade de cada medicação no sistema de saúde e do custo.

O que esperar na prática

O grande ganho para o paciente é redução do número de aplicações por ano. Quem antes precisava de 8 a 12 injeções anuais pode, com faricimabe, conseguir intervalos maiores — o que diminui consultas, despesas, deslocamento e a carga emocional de tratar uma doença crônica. Isso não significa que todos os pacientes chegarão a intervalos de 16 semanas: a extensão é gradual e guiada pela resposta individual, documentada com OCTs a cada consulta.

Se você está em tratamento há muito tempo com outro anti-VEGF e sente que o ritmo está pesado ou que a doença parece 'voltar' antes do próximo retorno, vale conversar com seu retinólogo sobre alternativas mais recentes. O arsenal contra DMRI úmida e edema macular diabético mudou muito nos últimos anos — e continua mudando.

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