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Olho que lacrimeja o tempo todo? Entenda a obstrução das vias lacrimais e a cirurgia de DCR

Lacrimejamento constante, secreção e crises de infecção no canto do olho podem ser sinal de obstrução do ducto nasolacrimal. A dacriocistorrinostomia (DCR) resolve o problema abrindo uma nova via entre o saco lacrimal e o nariz.

Lágrima escorrendo pelo rosto por obstrução da via lacrimal.

A lágrima que produzimos o tempo todo tem duas funções: lubrificar o olho e protegê-lo. Depois de percorrer a superfície ocular, ela é drenada para dentro do nariz por um sistema de canais — os pontos lacrimais, os canalículos, o saco lacrimal e o ducto nasolacrimal. Quando esse sistema fica obstruído, a lágrima não consegue escoar e transborda pela pálpebra, deixando o olho 'chorando' o tempo todo.

O que causa a obstrução

Em adultos, a causa mais comum é a obstrução adquirida do ducto nasolacrimal, associada ao envelhecimento e a pequenas alterações inflamatórias crônicas. Outras causas incluem infecções prévias, trauma facial, cirurgias nasais, tumores, uso crônico de certos colírios e, raramente, doenças sistêmicas. Em crianças, a obstrução congênita do ducto nasolacrimal é relativamente comum e geralmente resolve sozinha ou com manobras simples no primeiro ano de vida.

Sintomas

Os sinais mais frequentes são lacrimejamento constante (epífora), secreção matinal com crostas, olho vermelho recorrente, irritação da pele do canto interno do olho e, em alguns casos, episódios de infecção dolorosa do saco lacrimal (dacriocistite), com aumento de volume, vermelhidão e secreção purulenta. A infecção costuma ser o gatilho que leva o paciente a procurar avaliação.

Diagnóstico

A avaliação inclui inspeção das vias lacrimais, teste de desaparecimento de fluoresceína (para ver se a lágrima está escoando normalmente) e, principalmente, sondagem e irrigação das vias lacrimais pelo pontos lacrimais. Esse exame, feito em consultório, permite confirmar a obstrução e localizar o nível dela (alta, no canalículo, ou baixa, no ducto nasolacrimal). Em casos selecionados, exames de imagem como dacriocistografia ou tomografia complementam a investigação.

Tratamento: por que a DCR é a cirurgia definitiva

Quando a obstrução é baixa (no ducto nasolacrimal), o tratamento definitivo é cirúrgico: a dacriocistorrinostomia (DCR). Nela, o cirurgião cria uma nova comunicação direta entre o saco lacrimal e a cavidade nasal, abrindo uma pequena janela na parede óssea que os separa. A lágrima passa a escoar diretamente para dentro do nariz, pulando o trecho obstruído.

Existem duas abordagens principais: a DCR externa, feita por uma pequena incisão na pele ao lado do nariz (com cicatriz geralmente discreta), e a DCR endonasal, feita por dentro do nariz com auxílio de endoscópio, sem cicatriz externa. Ambas têm boas taxas de sucesso quando realizadas por cirurgiões experientes. A escolha da técnica depende da causa, da anatomia do paciente e da experiência do profissional.

Pós-operatório

Nas primeiras horas, é comum haver leve sangramento nasal, inchaço discreto ao redor do olho e desconforto leve. Um tubo fino de silicone pode ser deixado temporariamente dentro do novo trajeto para manter a passagem pérvia durante a cicatrização — ele é retirado em consultório algumas semanas depois. Os cuidados incluem colírios de antibiótico, lavagem nasal com soro e evitar assoar o nariz com força nos primeiros dias.

Resultado

A resolução do lacrimejamento costuma ser significativa e duradoura. A taxa de sucesso é alta em mãos experientes, tanto na técnica externa quanto na endoscópica. Episódios de dacriocistite tendem a desaparecer após a cirurgia, porque o saco lacrimal passa a drenar livremente.

Se você convive com olho molhado o tempo todo, remela matinal persistente ou já teve quadros de infecção dolorosa no canto interno do olho, vale uma avaliação específica da via lacrimal. Nem sempre a solução é colírio.

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