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Transplante de olho inteiro: até onde chegamos e o que ainda está por vir

Em 2023, cirurgiões americanos realizaram o primeiro transplante bem-sucedido de olho inteiro em um ser humano. O feito não devolveu a visão, mas abriu uma porta importante. Entenda o que já é possível, o que não é e o que isso significa para o futuro.

Close do olho humano em destaque.

Durante décadas, o 'transplante de olho' foi sinônimo de transplante de córnea — a substituição da camada transparente da frente do olho, feita rotineiramente no Brasil e no mundo, com excelentes resultados. Transplantar o olho inteiro, com nervo óptico, retina, esclera e tudo o mais, era considerado ficção científica. Em 2023, um grupo de cirurgiões nos Estados Unidos realizou, pela primeira vez, um transplante de olho inteiro em um paciente vivo. O olho sobreviveu, o tecido permaneceu perfundido por meses, mas o paciente não recuperou a visão. Ainda assim, o marco é enorme.

Por que é tão difícil

O grande desafio técnico do transplante de olho inteiro não é a parte vascular — suturar artérias e veias ao redor do globo — e sim o nervo óptico. O nervo óptico é uma extensão do sistema nervoso central: é composto por cerca de um milhão de axônios que levam a informação visual da retina ao cérebro. Ao contrário dos nervos periféricos, que podem regenerar em condições favoráveis, os axônios do sistema nervoso central não voltam a crescer de forma espontânea depois de seccionados.

Em outras palavras, mesmo que o olho transplantado seja mantido vivo, a conexão com o cérebro precisa ser recriada — e ainda não sabemos fazer isso. Por enquanto.

O que o primeiro caso mostrou

No procedimento pioneiro, o olho foi transplantado como parte de uma cirurgia facial complexa após uma lesão grave. O tecido ocular sobreviveu, manteve pressão normal, recebeu sangue adequado e preservou estruturas internas como retina e nervo óptico. O paciente não voltou a enxergar com o olho transplantado, mas a viabilidade prolongada do tecido foi uma prova de conceito importante. Mostrou que, do ponto de vista cirúrgico e imunológico, transplantar um olho inteiro é possível.

O que falta — e onde as pesquisas estão focadas

O próximo grande passo é encontrar maneiras de estimular a regeneração das fibras do nervo óptico, ou de fazer com que axônios cresçam através da sutura, cheguem ao cérebro e formem sinapses funcionais. Linhas de pesquisa incluem terapias com células-tronco, fatores de crescimento neural, neuroproteção, remoção de fatores inibitórios no ambiente do sistema nervoso central, bioengenharia de scaffolds e neuroprótese (interfaces eletrônicas entre retina/nervo e cérebro).

Paralelamente, a imunossupressão personalizada para transplantes compostos (que envolvem vários tecidos ao mesmo tempo) continua evoluindo, o que é essencial para evitar rejeição a longo prazo.

O que essa notícia significa para o paciente de hoje

Para quem tem uma doença grave da retina ou do nervo óptico hoje, o transplante de olho inteiro ainda não é uma opção clínica. Mas é importante entender o contexto: a notícia abre caminho para terapias futuras, inspira pesquisas em regeneração neural e mostra que a ideia já não é impossível.

Enquanto isso, o que temos de concreto e eficaz continua sendo o que já vem transformando vidas: cirurgia de catarata moderna, transplante de córnea seletivo, tratamento da retina com antiangiogênicos, cirurgia de glaucoma, implantes de alta qualidade e prevenção — sobretudo prevenção. Controle rigoroso do diabetes, tratamento precoce do glaucoma, avaliação de rotina e bons hábitos fazem mais por sua visão, hoje, do que qualquer manchete sobre o futuro.

Estar bem informado sobre o que está por vir é importante. Cuidar do que está ao alcance agora, mais ainda.

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