Durante décadas, o 'transplante de olho' foi sinônimo de transplante de córnea — a substituição da camada transparente da frente do olho, feita rotineiramente no Brasil e no mundo, com excelentes resultados. Transplantar o olho inteiro, com nervo óptico, retina, esclera e tudo o mais, era considerado ficção científica. Em 2023, um grupo de cirurgiões nos Estados Unidos realizou, pela primeira vez, um transplante de olho inteiro em um paciente vivo. O olho sobreviveu, o tecido permaneceu perfundido por meses, mas o paciente não recuperou a visão. Ainda assim, o marco é enorme.
Transplante de olho inteiro: até onde chegamos e o que ainda está por vir
Em 2023, cirurgiões americanos realizaram o primeiro transplante bem-sucedido de olho inteiro em um ser humano. O feito não devolveu a visão, mas abriu uma porta importante. Entenda o que já é possível, o que não é e o que isso significa para o futuro.

Outros artigos da Ortolan

A Recuperação da Cirurgia de Catarata: Um Guia Detalhado com Fotos

O que é a catarata? Como tratar a catarata?

Aula de Cirurgia Refrativa no Congresso da USP.

As Cirurgias Modernas que corrigem o grau dos olhos.

Guia Definitivo da Degeneração Macular (DMRI): Ciência e Cuidado com o Dr. Daniel Omote

Tomografia de Coerência Óptica: Guia para os Pacientes

As principais partes do olho humano e suas funções

Carnaval com os olhos protegidos: 4 dicas
Por que é tão difícil
O grande desafio técnico do transplante de olho inteiro não é a parte vascular — suturar artérias e veias ao redor do globo — e sim o nervo óptico. O nervo óptico é uma extensão do sistema nervoso central: é composto por cerca de um milhão de axônios que levam a informação visual da retina ao cérebro. Ao contrário dos nervos periféricos, que podem regenerar em condições favoráveis, os axônios do sistema nervoso central não voltam a crescer de forma espontânea depois de seccionados.
Em outras palavras, mesmo que o olho transplantado seja mantido vivo, a conexão com o cérebro precisa ser recriada — e ainda não sabemos fazer isso. Por enquanto.
O que o primeiro caso mostrou
No procedimento pioneiro, o olho foi transplantado como parte de uma cirurgia facial complexa após uma lesão grave. O tecido ocular sobreviveu, manteve pressão normal, recebeu sangue adequado e preservou estruturas internas como retina e nervo óptico. O paciente não voltou a enxergar com o olho transplantado, mas a viabilidade prolongada do tecido foi uma prova de conceito importante. Mostrou que, do ponto de vista cirúrgico e imunológico, transplantar um olho inteiro é possível.
O que falta — e onde as pesquisas estão focadas
O próximo grande passo é encontrar maneiras de estimular a regeneração das fibras do nervo óptico, ou de fazer com que axônios cresçam através da sutura, cheguem ao cérebro e formem sinapses funcionais. Linhas de pesquisa incluem terapias com células-tronco, fatores de crescimento neural, neuroproteção, remoção de fatores inibitórios no ambiente do sistema nervoso central, bioengenharia de scaffolds e neuroprótese (interfaces eletrônicas entre retina/nervo e cérebro).
Paralelamente, a imunossupressão personalizada para transplantes compostos (que envolvem vários tecidos ao mesmo tempo) continua evoluindo, o que é essencial para evitar rejeição a longo prazo.
O que essa notícia significa para o paciente de hoje
Para quem tem uma doença grave da retina ou do nervo óptico hoje, o transplante de olho inteiro ainda não é uma opção clínica. Mas é importante entender o contexto: a notícia abre caminho para terapias futuras, inspira pesquisas em regeneração neural e mostra que a ideia já não é impossível.
Enquanto isso, o que temos de concreto e eficaz continua sendo o que já vem transformando vidas: cirurgia de catarata moderna, transplante de córnea seletivo, tratamento da retina com antiangiogênicos, cirurgia de glaucoma, implantes de alta qualidade e prevenção — sobretudo prevenção. Controle rigoroso do diabetes, tratamento precoce do glaucoma, avaliação de rotina e bons hábitos fazem mais por sua visão, hoje, do que qualquer manchete sobre o futuro.
Estar bem informado sobre o que está por vir é importante. Cuidar do que está ao alcance agora, mais ainda.
Quer transformar esta leitura em atendimento?
Se este artigo ajudou na sua dúvida, a equipe pode orientar pelo WhatsApp qual exame, especialista ou consulta costuma ser o melhor próximo passo.
Continue a sua leitura
Estas páginas ajudam a aprofundar sintomas, exames, tratamentos e especialistas relacionados ao tema.
Glaucoma
O glaucoma é um grupo de doenças que lesiona progressivamente o nervo óptico, o cabo que leva a informação visual do olho para o cérebro. É a principal causa de cegueira irreversível no mundo e, na forma mais comum, evolui em silêncio por anos — sem dor e sem sintomas iniciais. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado permitem estabilizar a doença e preservar a visão útil por décadas.
Catarata
A catarata é uma condição ocular muito comum, caracterizada pela opacificação do cristalino — a lente natural do nosso olho. Quando essa lente perde a sua transparência, a visão torna-se embaçada, como se estivéssemos olhando através de um vidro sujo ou enevoado. Embora o diagnóstico possa gerar preocupação, a catarata é uma condição altamente tratável.
Ceratocone
O ceratocone é uma ectasia corneana, ou seja, uma doença ocular progressiva que afeta diretamente a estrutura, a espessura e o formato da córnea — a lente externa e transparente localizada na parte da frente do olho.
Retinografia
Descubra como a retinografia pode ajudar no diagnóstico e monitoramento de doenças oculares, capturando imagens detalhadas da retina. Conheça mais sobre essa tecnologia essencial no site Ortolan Oftalmologia.
Tomografia de Coerência Óptica
Tomografia de Coerência Óptica (OCT) de mácula e OCT de nervo óptico são essenciais para avaliar a saúde da retina e do nervo óptico, proporcionando diagnósticos precisos e guiando tratamentos eficazes. Saiba mais sobre essas tecnologias inovadoras no nosso site da Ortolan Oftalmologia.
Biometria Óptica por OCT
A biometria óptica é crucial na cirurgia de catarata para calcular com precisão a lente intraocular ideal para cada paciente, garantindo resultados visuais excelentes. Descubra mais sobre essa tecnologia fundamental no nosso site de oftalmologia.
Outros artigos sobre o tema
Mais leituras para continuar pesquisando dentro do blog da Ortolan.
A Recuperação da Cirurgia de Catarata: Um Guia Detalhado com Fotos
A Jornada da Recuperação da Cirurgia de Catarata: Um Guia Detalhado com Fotos A cirurgia de catarata é um procedimento rápido e eficaz que restaura a visão turva causada pela catarata. No entanto, como qualquer procedimento médico, a recuperação é fundamental para garantir um resultado positivo. Neste artigo, exploraremos os diferentes estágios da recuperação da cirurgia de catarata, desde os primeiros dias até a visão completa. Damos dicas do uso correto dos colírios no pós-operatório.
O que é a catarata? Como tratar a catarata?
O que é a catarata? Como Tratar a Catarata? O que é a Cirurgia de Catarata? Neste artigo o Dr. Lucca Ortolan Hansen tira as principais dúvidas dos pacientes.
Aula de Cirurgia Refrativa no Congresso da USP.
Aula com caso clínico de cirurgia refrativa apresentada pelo dr. Lucca Ortolan Hansen na seção de Cirurgia Refrativa no Congresso de Oftalmologia da Universidade de São Paulo em 2021.
Páginas principais da Ortolan
Acesse áreas centrais do site para conhecer exames, doenças, cirurgias e equipe médica.
Especialistas da clínica
Conheça os especialistas da equipe e suas áreas de atuação.
Doenças dos olhos
Veja páginas completas sobre doenças dos olhos e sintomas relacionados.
Exames oftalmológicos
Entenda quais exames podem complementar a avaliação.
Página de cirurgias
Conheça cirurgias, indicações e páginas de tratamento da clínica.

