Cirurgia

Iridotomia periférica a laser (YAG)

A iridotomia a laser é um procedimento ambulatorial, rápido e indolor que usa o laser Nd:YAG para abrir um pequeno orifício na periferia da íris. Esse orifício permite que o humor aquoso flua livremente entre as câmaras posterior e anterior do olho, aliviando o chamado bloqueio pupilar. É o tratamento padrão para prevenir e tratar o glaucoma de ângulo fechado — incluindo crises agudas — e para pessoas com ângulos estreitos em risco de fechamento.

Ilustração do glaucoma de ângulo fechado — a íris bloqueia a drenagem do humor aquoso no ângulo iridocorneano, quadro tratado e prevenido pela iridotomia a laser YAG. Fonte: Smart-Servier via Wikimedia Commons (CC BY 3.0).
Iridotomia periférica a laser (YAG) | imagem 2

O que é a iridotomia a laser?

A iridotomia periférica a laser (LPI) cria um pequeno orifício na periferia da íris — geralmente de 150 a 500 micrômetros — que funciona como uma 'válvula de alívio'. O orifício permite que o humor aquoso flua diretamente da câmara posterior para a anterior, equalizando pressões e impedindo que a íris se projete sobre o ângulo de drenagem do olho.

Esse mecanismo resolve o chamado bloqueio pupilar: quando o fluxo de humor aquoso entre a câmara posterior e a pupila fica dificultado, a pressão atrás da íris aumenta e a íris é empurrada para a frente, estreitando ou fechando o ângulo iridocorneano. Sem a iridotomia, o quadro pode evoluir para crise aguda de fechamento angular — uma emergência oftalmológica com dor ocular intensa, náuseas, halos e risco de perda visual permanente.

Equipe médica

Nossos especialistas em glaucoma

A indicação da iridotomia a laser depende de avaliação criteriosa do ângulo iridocorneano, da pressão intraocular e do nervo óptico. O acompanhamento é feito por especialistas em glaucoma com experiência no manejo do ângulo fechado e de suas variantes.

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Quando a iridotomia é indicada?

A indicação é feita após avaliação clínica detalhada, incluindo gonioscopia e, quando necessário, imagens do segmento anterior (UBM ou OCT). As principais situações em que a iridotomia é recomendada:

  • Crise aguda de fechamento angular (APAC) — tratamento definitivo após controle medicamentoso inicial da pressão. É a urgência mais clássica em que a iridotomia salva o nervo óptico.
  • Olho contralateral após crise aguda — até 50% dos pacientes desenvolvem crise no outro olho em 5 anos. A iridotomia profilática reduz drasticamente esse risco.
  • Glaucoma primário de ângulo fechado (PACG) e ângulo fechado primário (PAC) — recomendação forte sempre que há dano ao nervo óptico ou elevação da pressão por comprometimento crônico do fluxo.
  • Ângulos estreitos ou 'ocluíveis' (PACS) — em pacientes com risco anatômico sem dano ao nervo, a decisão é individualizada. O estudo ZAP mostrou benefício estatisticamente pequeno, e muitos casos podem apenas ser acompanhados.
  • Bloqueio pupilar secundário — uveítes, catarata avançada, luxação do cristalino, bloqueio pupilar reverso após cirurgia refrativa ou implantes intraoculares mal posicionados.
  • Síndrome de dispersão pigmentar e configuração em platô — em casos selecionados, para reduzir o atrito íris-zônula ou eliminar o componente de bloqueio pupilar associado.

Pacientes com opacidade acentuada da córnea, câmara anterior muito rasa ou inflamação intraocular ativa precisam de controle clínico antes do laser. Crianças pequenas e pacientes não cooperativos também exigem estratégias alternativas.

A tecnologia: Nd:YAG laser e fotodisrupção

O Nd:YAG laser (1064 nm, pulsos em nanossegundos) é hoje o equipamento padrão para a iridotomia. Diferente dos antigos lasers argônio (ou Nd:YAG-KTP 532 nm), que precisam de pigmento para gerar efeito térmico, o YAG atua por fotodisrupção — um mecanismo mecânico independente da cor da íris. Isso significa eficácia em íris claras ou escuras, com menor energia total e menor risco de complicações como hemorragia na câmara anterior.

Em íris muito espessas ou pigmentadas, pode-se combinar um tratamento inicial com laser KTP 532 nm para afinar a íris antes do YAG. Essa abordagem sequencial reduz a energia total necessária e é útil em pacientes com íris escuras.

Como é o procedimento

A iridotomia é feita em regime ambulatorial, no próprio equipamento de laser — aparelho semelhante à lâmpada de fenda das consultas. Não há cortes, não há necessidade de anestesia injetável ou internação. A duração costuma ser de poucos minutos por olho.

Passo a passo

  • Preparação — aplicação de pilocarpina 2–4% para contrair a pupila, afinar a íris e facilitar o disparo. Em casos de edema da córnea (na crise aguda), usa-se glicerina tópica, acetazolamida ou manitol para clarear a córnea antes do laser.
  • Controle da pressão — em pacientes sob risco ou na crise aguda, prescreve-se brimonidina ou apraclonidina tópicas antes do procedimento para reduzir o pico de pressão pós-laser.
  • Anestesia tópica — colírio anestésico na superfície ocular, sem injeções.
  • Lente estabilizadora — lente especial (Abraham +66 D, Wise +103 D ou CGI-LASAG) é colocada sobre o olho com gel viscoso. Ela mantém as pálpebras abertas, estabiliza o olho, magnifica a íris e concentra a energia do laser.
  • Posicionamento da iridotomia — em geral na periferia superior da íris, entre 11 e 1 horas, protegida pela pálpebra superior. Posições temporais também funcionam. Evita-se 12h (risco de obstrução por bolhas de ar) e áreas com vasos visíveis.
  • Disparos do laser — o médico realiza disparos sucessivos. O paciente ouve pequenos estalos e pode notar flashes de luz, sem sensação dolorosa. O procedimento termina quando pigmento flui da câmara posterior para a anterior — sinal de que o orifício atravessa toda a espessura da íris.
  • Encerramento — remoção da lente, higienização do olho e orientação de colírios pós-operatórios (anti-inflamatório e, quando indicado, hipotensor).

Recuperação

A pressão intraocular deve ser aferida de 30 minutos a 2 horas após o laser para detectar picos transitórios. O retorno às atividades normais costuma acontecer no mesmo dia, com uso de colírios por cerca de uma semana.

Reavaliação da profundidade da câmara anterior em 1 semana confirma que o ângulo se abriu. Se houver dúvida sobre a patência do orifício, gonioscopia complementar, UBM (ultrassom biomicroscópico) ou OCT de segmento anterior podem ser solicitados.

Riscos e complicações

O perfil de segurança da iridotomia com Nd:YAG é muito favorável, mas há complicações conhecidas que exigem acompanhamento:

  • Pico transitório de pressão intraocular — a complicação pós-operatória mais comum, geralmente nas primeiras 4 horas. Elevação ≥8 mmHg em cerca de 6–10% dos pacientes. Justifica o uso profilático de alfa-agonistas.
  • Sangramento na câmara anterior (hifema) — costuma ser pequeno e autolimitado, cede com leve pressão na lente de contato. Estudos mostram que pacientes em uso de aspirina ou anticoagulantes têm risco semelhante aos demais — não é necessário suspender esses medicamentos antes do laser.
  • Sintomas visuais (disfotopsias) — borramento, halos, linhas, pontos ou sombras em 2 a 16% dos casos. Ao contrário da crença tradicional, estudos não demonstram diferença consistente conforme a posição da iridotomia. A maioria dos sintomas melhora ou deixa de incomodar após 6 meses; lentes tintadas ajudam em casos persistentes.
  • Progressão de catarata — risco aumentado em períodos de 1 a 6 anos após a iridotomia. Mecanismos propostos: dano direto ao cristalino, alteração da dinâmica do humor aquoso e mudanças inflamatórias discretas.
  • Fechamento da iridotomia — 1% em 2 semanas a 20% em 6 meses; raro com Nd:YAG. Quando ocorre, o re-tratamento é simples e pode ser feito no mesmo sítio.
  • Síndrome de direção anômala do humor aquoso (misdirection) — rara; ocorre em olhos pequenos (<21 mm), alta hipermetropia, com pressão elevada e câmara anterior rasa apesar da iridotomia pérvia. Exige avaliação e tratamento especializados.
  • Outras complicações raras — redução temporária da contagem de células endoteliais corneanas, inflamação leve, sinequia posterior, hipópio estéril, edema macular cistoide, hemorragia retiniana.

Referências

Prum BE Jr, Herndon LW Jr, Moroi SE, et al. Primary Angle Closure Preferred Practice Pattern Guidelines. *Ophthalmology.* 2016;123(1):P1-P40. PubMed PMID: 26581556.

Radhakrishnan S, Chen PP, Junk AK, Nouri-Mahdavi K, Chen TC. Laser Peripheral Iridotomy in Primary Angle Closure — a report by the American Academy of Ophthalmology. *Ophthalmology.* 2018;125(7):1110-1120. PubMed PMID: 29506870.

He M, Jiang Y, Huang S, et al. Laser peripheral iridotomy for the prevention of angle closure: a single-centre, randomised controlled trial (ZAP). *Lancet.* 2019;393(10181):1609-1618. PubMed PMID: 30878226.

Azuara-Blanco A, Burr J, Ramsay C, et al. Effectiveness of early lens extraction for the treatment of primary angle-closure glaucoma (EAGLE). *Lancet.* 2016;388(10052):1389-1397. PubMed PMID: 27707497.

American Academy of Ophthalmology — EyeWiki. Laser Peripheral Iridotomy.

Balas M, Mathew DJ. Dysphotopsia and location of laser iridotomy: a systematic review. *Eye (Lond).* 2024;38(7):1240-1245. PubMed PMID: 38172238.

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Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre Iridotomia periférica a laser (YAG)

Para que serve a iridotomia a laser?

Serve para criar uma nova passagem para o humor aquoso na periferia da íris, aliviando o bloqueio pupilar. É a base do tratamento e da prevenção do glaucoma de ângulo fechado, especialmente após uma crise aguda ou em pacientes com ângulos estreitos anatomicamente em risco.

A iridotomia dói?

Não. O procedimento é feito com colírio anestésico e uma lente de contato sobre o olho. O paciente ouve pequenos estalos a cada disparo e pode notar flashes de luz, mas não sente dor. A sensação mais desconfortável costuma ser a luz intensa do microscópio.

Quanto tempo dura o procedimento?

A aplicação efetiva do laser leva poucos minutos por olho. Considerando a preparação (pilocarpina, anestesia, posicionamento, controle de pressão antes e depois), a visita total costuma levar de 30 a 60 minutos.

Posso dirigir depois?

Não no mesmo dia. A pilocarpina deixa a pupila bem pequena e, somada ao desconforto luminoso e à lente de contato usada durante o laser, prejudica o foco e o reflexo imediato. Combine com alguém para te levar e buscar, ou use serviço de transporte.

Por que o ângulo fechado agudo é uma emergência?

Na crise aguda, a íris bloqueia completamente a drenagem do humor aquoso e a pressão intraocular sobe rapidamente a níveis muito elevados. Isso causa dor ocular intensa, náuseas, halos coloridos e embaçamento — e, se não tratado em horas, pode causar perda visual permanente por dano ao nervo óptico. A iridotomia é o tratamento definitivo.

Se meu ângulo é estreito mas não tive crise, preciso fazer iridotomia?

Nem sempre. O estudo ZAP mostrou que o benefício da iridotomia profilática em olhos com ângulos estreitos sem sintomas é real, mas estatisticamente pequeno. A decisão depende de fatores anatômicos (quão estreito é o ângulo, espessura da íris, posição do cristalino), história familiar, idade e riscos individuais. Muitos casos podem apenas ser acompanhados com gonioscopia periódica.

Vou enxergar o furinho na íris?

Em geral não. A iridotomia é feita na periferia da íris, protegida pela pálpebra superior, e tem menos de meio milímetro. Alguns pacientes percebem halos, linhas ou pontos luminosos temporariamente, mas a grande maioria se adapta em poucos meses. Lentes tintadas ajudam quando os sintomas persistem.

A iridotomia substitui os colírios para glaucoma?

Não necessariamente. A iridotomia resolve o componente de bloqueio pupilar e abre o ângulo. Em muitos casos de ângulo fechado ou ângulo estreito (PACS), isso é suficiente. Mas quando já há dano ao nervo óptico (glaucoma estabelecido) ou pressão elevada por outro mecanismo, podem ser necessários colírios, SLT ou cirurgia adicional.

A iridotomia pode fechar de novo?

Raro com o Nd:YAG laser. Fechamento parcial ocorre em cerca de 1% em 2 semanas e até 20% em 6 meses nos relatos mais antigos, mas é menos frequente na prática atual. Quando ocorre, o re-tratamento no mesmo sítio é simples.

A iridotomia causa catarata?

Há um pequeno aumento do risco de progressão da catarata em acompanhamentos de 1 a 6 anos após a iridotomia. O mecanismo não é totalmente claro — pode haver dano direto discreto ao cristalino ou mudanças inflamatórias. Em contrapartida, a iridotomia previne complicações muito mais graves (crise aguda, perda do nervo óptico), e a catarata, se surgir, tem tratamento consolidado.

Preciso tratar os dois olhos?

Frequentemente sim. Em pacientes com crise aguda em um olho, o outro tem alto risco de crise dentro de dias ou semanas. Nos casos bilaterais de ângulo estreito, a decisão é individualizada. A gonioscopia avalia cada olho separadamente para orientar a conduta.

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Fiz cirurgia refrativa com o Dr. Lucca e o resultado foi perfeito. Acordei no outro dia enxergando 100% sem óculos. Equipe atenciosa e clínica impecável.

Carolina M.Dr. Lucca Ortolan
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Operei catarata dos dois olhos com lente premium trifocal. Hoje leio, trabalho no computador e dirijo sem óculos. Dr. Lucca explicou cada detalhe com paciência.

Aparecida S.Dr. Lucca Ortolan
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A Dra. Nicole cuidou do meu ceratocone e fez o crosslinking. Profissional extremamente competente, me senti segura do início ao fim.

Mariana F.Dra. Nicole Bulgarão
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