Artigo

Glaucoma: o 'ladrão silencioso' da visão e por que o diagnóstico precoce importa

Glaucoma raramente dá sintomas nas fases iniciais — quando a pessoa percebe perda visual, boa parte do nervo óptico já foi comprometida. Entenda o que é, quem tem mais risco e como é feito o tratamento moderno.

Simulação da visão de um paciente com glaucoma avançado.

O glaucoma é um grupo de doenças que causa dano progressivo ao nervo óptico — o cabo que leva a informação visual do olho para o cérebro. Quando as fibras do nervo óptico morrem, a visão se perde aos poucos, começando pela periferia do campo visual e avançando de forma lenta, sem dor e sem sintomas óbvios. Por isso, o glaucoma é conhecido como o 'ladrão silencioso da visão': a maioria dos pacientes só percebe o problema quando a doença já está avançada.

Exame de campo visual computadorizado (campimetria 30° central).

Tipos principais

O glaucoma primário de ângulo aberto é o tipo mais comum e geralmente evolui em silêncio ao longo de anos. O glaucoma de ângulo fechado agudo, bem menos frequente, é uma emergência médica: o ângulo de drenagem do olho fecha de repente, causando dor ocular intensa, olho vermelho, halos ao redor das luzes, náuseas e perda visual rápida.

Colírio usado no tratamento clínico do glaucoma.

Existem ainda o glaucoma de pressão normal (em que o nervo é danificado apesar de a pressão estar dentro do chamado 'normal'), o glaucoma secundário (associado a trauma, uso prolongado de corticoides, diabetes avançada, uveíte, entre outros) e o glaucoma congênito, presente desde o nascimento.

Fatores de risco

Os principais são: pressão intraocular elevada, idade acima de 40 anos, história familiar de glaucoma, ascendência africana ou hispânica (maior prevalência), miopia alta, córnea mais fina, uso prolongado de corticoides e algumas doenças sistêmicas como diabetes. A história familiar é especialmente importante: quem tem pai, mãe ou irmão com glaucoma tem risco significativamente aumentado e merece acompanhamento regular a partir dos 40 anos — ou antes, se a orientação do médico indicar.

Diagnóstico: o exame que salva a visão

Nenhum exame isolado fecha o diagnóstico. A avaliação moderna combina vários elementos: medida da pressão intraocular (tonometria), exame do nervo óptico sob dilatação, gonioscopia (avaliação do ângulo de drenagem), medida da espessura da córnea (paquimetria), OCT do nervo óptico e das fibras nervosas, e campimetria visual computadorizada (para medir o campo de visão).

A grande vantagem do OCT é identificar perda de fibras nervosas antes mesmo que o paciente tenha qualquer alteração no campo visual. Quanto mais cedo o glaucoma é pego, mais fácil é preservar a visão.

Tratamento: escalonar conforme o caso

O tratamento se baseia em reduzir a pressão intraocular, porque esse é o único fator comprovadamente modificável que muda o curso da doença. A primeira linha costuma ser colírios que reduzem a produção ou aumentam o escoamento do humor aquoso — análogos de prostaglandina (uma gota à noite), beta-bloqueadores, inibidores da anidrase carbônica e alfa-agonistas, isolados ou em associação.

Quando os colírios não controlam a pressão, não são tolerados ou a doença progride, entra em cena o laser: a trabeculoplastia seletiva a laser (SLT) é um procedimento ambulatorial, indolor e, segundo estudos recentes, pode ser uma excelente opção de primeira linha, deixando muitos pacientes sem necessidade de colírios por anos.

Para casos refratários ou avançados, as cirurgias filtrantes — trabeculectomia e implante de tubo de drenagem — criam novos caminhos para o escoamento do humor aquoso. A escolha entre elas depende do tipo de glaucoma, de cirurgias prévias e da pressão-alvo desejada. Cirurgias minimamente invasivas (MIGS) ampliaram o leque de opções, especialmente para glaucomas de ângulo aberto leves a moderados.

A mensagem mais importante

Glaucoma não tem cura: o dano já feito ao nervo óptico não volta. Mas existe tratamento eficaz para parar ou retardar muito a progressão. A chave é o diagnóstico precoce — e isso só acontece quando as pessoas fazem exames oftalmológicos de rotina mesmo sem sintomas, principalmente a partir dos 40 anos ou antes, se houver fatores de risco.

Leitura relacionada

Continue explorando

Contato rápido

Quer transformar esta leitura em atendimento?

Se este artigo ajudou na sua dúvida, a equipe pode orientar pelo WhatsApp qual exame, especialista ou consulta costuma ser o melhor próximo passo.

Falar sobre este artigo
Continue sua leitura

Continue a sua leitura

Estas páginas ajudam a aprofundar sintomas, exames, tratamentos e especialistas relacionados ao tema.

Continue sua leitura

Outros artigos sobre o tema

Mais leituras para continuar pesquisando dentro do blog da Ortolan.

Continue sua leitura

Páginas principais da Ortolan

Acesse áreas centrais do site para conhecer exames, doenças, cirurgias e equipe médica.

WhatsApp