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Implante de tubo de drenagem: quando o glaucoma precisa de uma 'nova válvula'

Ahmed, Baerveldt, Molteno — os implantes de drenagem são opções importantes no arsenal contra o glaucoma refratário. Entenda como funcionam, quando são preferidos à trabeculectomia e o que muda no pós-operatório.

Exemplo de dispositivo de drenagem para glaucoma (Ahmed).

Quando o glaucoma não cede com colírios, laser e já falhou uma cirurgia filtrante clássica, ou quando o olho apresenta alto risco de cicatrização exagerada, os implantes de drenagem (também chamados de tubos de drenagem ou 'shunts') entram em cena. São dispositivos projetados para criar uma nova via pela qual o humor aquoso sai do olho e é absorvido pelos tecidos ao redor, reduzindo a pressão intraocular.

Avaliação pós-operatória do tubo de drenagem na lâmpada de fenda.

Os principais modelos

Existem alguns modelos consolidados. O implante de Ahmed tem um mecanismo valvular que limita o fluxo nos primeiros dias, reduzindo o risco de hipotonia. Os implantes de Baerveldt e Molteno não têm válvula e apresentam uma área de placa maior, o que pode significar melhor controle pressórico a longo prazo — em troca, exigem uma amarração temporária do tubo na cirurgia, para evitar fluxo excessivo antes da cicatrização da cápsula fibrosa ao redor da placa.

Como o implante é colocado

A cirurgia é feita em centro cirúrgico, com anestesia local e sedação. O cirurgião posiciona a placa no quadrante superior do olho, sob a conjuntiva e a cápsula de Tenon, suturando-a à esclera. Um tubo fino de silicone sai dessa placa e é inserido na câmara anterior do olho (ou, em alguns casos, na cavidade vítrea). O humor aquoso passa pelo tubo, chega à placa e é reabsorvido pela cápsula fibrosa que se forma ao redor dela.

Ao final, o tubo é protegido por um enxerto (de pericárdio, esclera ou córnea doadas, ou de material sintético) para evitar erosão da conjuntiva por cima dele ao longo dos anos.

Quando o tubo é preferido à trabeculectomia

Os tubos costumam ser preferidos em glaucomas considerados 'refratários' ou de alto risco de cicatrização: glaucoma neovascular (associado a retinopatia diabética ou oclusão de veia da retina), glaucoma uveítico, glaucoma após trauma ou cirurgia de retina, glaucoma após transplante de córnea e casos em que a trabeculectomia já falhou. Em pacientes mais jovens, cuja resposta fibrótica é mais intensa, o tubo também pode ser uma opção vantajosa.

O estudo TVT (Tube vs Trabeculectomy) foi um marco para consolidar o papel dos tubos nesse tipo de paciente: mostrou que, em cinco anos, o controle pressórico era comparável entre tubo e trabeculectomia, com taxa de falha menor no grupo do tubo em casos de alto risco.

Pós-operatório

Nas primeiras semanas, a pressão pode oscilar. Com o tubo de Ahmed (valvular), o fluxo começa desde o primeiro dia. Com tubos não-valvulares (Baerveldt, Molteno), o tubo é temporariamente amarrado por um fio absorvível — é comum que a pressão continue elevada nesse período e que o paciente mantenha colírios até a amarração se soltar (em média, quatro a seis semanas).

Os cuidados são parecidos com os de outras cirurgias oculares: uso disciplinado de colírios de antibiótico e anti-inflamatório, restrição a esforço físico intenso por algumas semanas, evitar coçar o olho e comparecer a todos os retornos. A visão costuma estar um pouco borrada nos primeiros dias e melhora progressivamente.

Riscos e cuidados a longo prazo

Os principais riscos incluem hipotonia, descompensação corneana, exposição do tubo ao longo dos anos, estrabismo (especialmente com placas grandes), infecção e, em casos raros, endoftalmite. Em acompanhamento a longo prazo, o médico observa a posição do tubo, a saúde da conjuntiva ao redor da placa, a córnea e a pressão ocular.

Tubos de drenagem ampliaram significativamente o horizonte de tratamento em pacientes antes considerados de 'difícil controle'. Com indicação correta e acompanhamento próximo, são uma das ferramentas mais valiosas no manejo moderno do glaucoma.

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