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Trabeculoplastia seletiva a laser (SLT): o tratamento de glaucoma que está mudando a ordem das coisas

Um grande estudo randomizado (LiGHT) mostrou que começar com SLT, em vez de colírios, foi pelo menos tão eficaz e deixou a maioria dos pacientes sem precisar de gotas por anos. Entenda por que o laser passou a ser tratamento de primeira linha.

Exame com lâmpada de fenda, usada também para aplicar o laser da trabeculoplastia.

Por décadas, o roteiro do tratamento do glaucoma de ângulo aberto começava pelos colírios, passava pelo laser apenas quando os colírios não davam conta e terminava em cirurgia. O estudo LiGHT (Laser in Glaucoma and Ocular Hypertension), publicado no The Lancet em 2019, sacudiu essa ordem: em pacientes recém-diagnosticados, começar com a trabeculoplastia seletiva a laser (SLT) foi tão eficaz quanto começar com colírios — e, depois de três anos, 74% dos olhos tratados só com SLT continuavam sem precisar de nenhum colírio para manter a pressão sob controle.

Medida da pressão intraocular no acompanhamento após o SLT.

O que é o SLT, na prática

A trabeculoplastia seletiva a laser usa pulsos curtos de laser Nd:YAG de baixa energia aplicados seletivamente sobre as células pigmentadas do trabeculado — a estrutura fininha do ângulo do olho por onde o humor aquoso escoa. O tratamento ativa uma resposta biológica que melhora a saída do humor aquoso, reduzindo a pressão intraocular. Diferente do laser antigo (ALT), o SLT não causa cicatriz no trabeculado e pode ser repetido no futuro.

Campimetria de acompanhamento de pacientes em tratamento de glaucoma.

Como é a sessão

O procedimento é feito no consultório, com o paciente sentado na lâmpada de fenda. Após pingar colírio anestésico, o médico coloca uma lente de contato especial no olho e aplica os disparos de laser ao longo do ângulo. A sessão dura alguns minutos, não dói e o paciente vai embora logo em seguida. Em muitos casos, a pressão do dia de retorno já mostra alguma queda, mas o efeito completo costuma se instalar em quatro a seis semanas.

Por que o LiGHT mudou a prática

Antes do estudo, o SLT era visto como 'resgate' ou 'adjuvante'. O LiGHT comparou diretamente começar por SLT versus começar por colírios em pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto ou hipertensão ocular recém-diagnosticados. Os resultados foram consistentes: pressão controlada, menos progressão do dano, menos necessidade de cirurgia e — o mais marcante — redução muito grande na dependência de colírios no grupo que começou com SLT.

Isso tem impacto direto na vida do paciente. Colírios dependem do uso correto todos os dias, muitas vezes várias vezes ao dia; causam irritação, custam dinheiro e podem afetar a superfície ocular a longo prazo. O SLT evita todo esse fardo em boa parte dos casos, pelo menos por alguns anos.

Quem é candidato

O SLT é indicado em glaucoma primário de ângulo aberto, glaucoma pseudoexfoliativo, glaucoma pigmentar e hipertensão ocular. Não é usado em glaucoma de ângulo fechado sem iridotomia prévia, em glaucoma neovascular ou em olhos com opacidades que impeçam a visualização adequada do trabeculado. A avaliação por gonioscopia antes do laser é obrigatória.

Pacientes com dificuldade para aderir aos colírios, reações alérgicas às medicações, ambiente de trabalho incompatível com o pingar regular ou simplesmente preferência por evitar gotas diárias são candidatos especialmente motivados para começar pelo laser.

Efeitos colaterais e durabilidade

Os efeitos colaterais são mínimos: pequena inflamação na câmara anterior nos primeiros dias (tratada com anti-inflamatório), sensibilidade à luz transitória e, raramente, pico de pressão logo após o procedimento. Nenhum efeito sistêmico, diferente de alguns colírios. O efeito dura em média de dois a cinco anos; quando a pressão volta a subir, o SLT pode ser repetido, o que é uma grande vantagem prática.

Se você foi diagnosticado com glaucoma ou hipertensão ocular e ainda não conversou sobre o SLT, vale perguntar na próxima consulta. Nem todo olho é candidato, mas para muitos ele mudou completamente a maneira de começar o tratamento.

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