Cirurgia refrativa: o que é, técnicas (PRK, LASIK, SMILE, ICL) e preço
Guia completo da cirurgia refrativa a laser e da lente fácica (ICL): técnicas modernas, critérios de indicação, recuperação, riscos, convênio, SUS e valor médio praticado no Brasil.
Cirurgias Oftalmológicas · Publicado em 23 de abril de 2026 · Atualizado em 24 de abril de 2026
Por Dr. Lucca Ortolan Hansen — oftalmologista formado pelo Hospital das Clínicas da USP, com fellowship em córnea, catarata e cirurgia refrativa e doutorado pela FMUSP com tese sobre ceratocone e custo-efetividade do crosslinking no SUS.
A cirurgia refrativa é hoje uma das intervenções mais comuns e mais estudadas da oftalmologia moderna. Feita com laser ou com implante de lente intraocular, corrige miopia, hipermetropia, astigmatismo e, em casos selecionados, também a presbiopia (vista cansada). Quando bem indicada e realizada por equipe experiente, liberta a maioria dos pacientes dos óculos e das lentes de contato nas atividades do dia a dia.
Este guia foi escrito para quem está considerando operar e quer entender, com clareza, o que é a cirurgia refrativa, quais as técnicas atuais (PRK, LASIK, SMILE e lente fácica), quanto custa em média no Brasil, como funciona o convênio e o SUS, e quais são os riscos reais. Em vez de um texto breve de marketing, aqui está o protocolo que utilizo no dia a dia do consultório — com o racional por trás de cada decisão clínica.
Para muitos pacientes, a decisão de operar começa com o cansaço crônico do uso de óculos no trabalho.
Essa é quase sempre a primeira frase que ouço na consulta. Por trás dela há motivos muito variados: quem pratica esporte e sofre com óculos escorregando, quem acorda assustado no meio da noite por não enxergar o relógio, quem simplesmente cansou de depender de um objeto externo para enxergar bem. Os motivos importam — porque ajudam a calibrar a expectativa com o resultado.
A cirurgia refrativa não é uma cirurgia estética: é uma cirurgia funcional, que altera a geometria óptica do olho para que ele foque corretamente sobre a retina. O objetivo não é simplesmente 'zerar o grau' — é entregar boa visão funcional para o que o paciente mais faz no dia a dia, com o mínimo de dependência de óculos ou lentes de contato.
Olho seco e irritação crônica pelo uso prolongado de lentes de contato levam muitos pacientes a considerar a cirurgia.
Em mais de 95% dos casos bem indicados, o paciente dirige, trabalha e pratica esportes sem óculos depois da cirurgia. Para perto, depois dos 40 anos, a presbiopia impõe algumas adaptações — abordadas em detalhes na seção específica sobre vista cansada.
Cirurgia refrativa conduzida por equipe formada pela USP, com protocolo individualizado para cada paciente.
História e evolução da cirurgia refrativa
A ideia de alterar cirurgicamente o grau do olho é antiga. Há relatos em textos chineses antigos de tentativas com acupuntura e medicamentos orais, sem sucesso. A era moderna começa com a ceratotomia, uma técnica em que incisões controladas na superfície da córnea aplanam seu centro para corrigir miopia.
Nos anos 1950, o japonês Tsutomu Sato tentou ceratotomias anteriores e posteriores que, embora corrigissem parte da miopia, deixavam sequelas graves como descompensação endotelial e edema corneano permanente. A técnica foi abandonada.
O avanço veio com o cirurgião russo Svyatoslav Fyodorov, que desenvolveu a ceratotomia radial (RK) na década de 1970 — com incisões apenas na superfície anterior, poupando o endotélio. O estudo PERK (Prospective Evaluation of Radial Keratotomy, 1987) acompanhou 435 pacientes por três anos e mostrou que cerca de 65% haviam se livrado dos óculos. O preço: hoje sabemos que essas córneas podem apresentar hiperopização progressiva, flutuação da visão ao longo do dia e astigmatismo irregular anos depois — por isso a RK praticamente não é mais realizada.
A verdadeira revolução veio nos anos 1980 com o excimer laser, um laser ultravioleta de 193 nm que vaporiza tecido corneano com precisão submicrométrica, sem gerar calor significativo no tecido adjacente. Esse laser, inicialmente desenvolvido para microeletrônica, foi adaptado à córnea por Trokel, Srinivasan e Seiler entre 1983 e 1988. Dele nasceram o PRK (primeira cirurgia com excimer, 1987) e, em seguida, o LASIK, descrito por Pallikaris em 1990.
Nos anos 2000 chegou o laser de femtosegundo, que substituiu o microcerátomo metálico na criação do flap do LASIK com muito mais precisão e segurança. Em 2011 surgiu o SMILE (Small Incision Lenticule Extraction), protocolo 100% a laser de femtosegundo desenvolvido pela Zeiss que extrai um lentículo de tecido corneano por uma incisão pequena, sem criar flap. Hoje, as três técnicas (PRK, LASIK e SMILE) convivem e são escolhidas caso a caso — e podem ser complementadas pela lente fácica (ICL) em graus altos.
Na miopia, o foco cai antes da retina. A cirurgia refrativa aplana a córnea e reposiciona o foco.
No olho míope, os raios de luz cruzam antes da fóvea — o objetivo da cirurgia refrativa é reposicionar esse foco sobre o centro da retina.
Vídeo de Cirurgia Refrativa
Antes de entrar na parte técnica, um vídeo curto mostra, em poucos segundos, como a cirurgia refrativa a laser acontece na prática — o paciente posicionado no centro cirúrgico, o laser atuando sobre a córnea, o processo cuidadoso conduzido pela equipe.
Como funciona: os fundamentos ópticos
Para enxergar nítido, a imagem precisa formar-se exatamente sobre a retina. Quando isso não acontece, temos um erro refrativo:
Miopia: a imagem forma-se antes da retina. O olho é longo demais ou a córnea curva demais.
Hipermetropia: a imagem formaria-se atrás da retina. O olho é curto demais ou a córnea pouco curva.
Astigmatismo: a córnea (ou o cristalino) tem curvaturas diferentes em meridianos distintos, gerando dois focos em vez de um.
Presbiopia: perda gradual da capacidade de focar de perto após os 40 anos, por enrijecimento do cristalino e perda de função do músculo ciliar.
A cirurgia refrativa resolve o problema de duas maneiras principais:
Modificando a curvatura da córnea — é o que fazem PRK, LASIK e SMILE. O excimer laser remove finas camadas de tecido em um padrão calculado, aplanando a córnea (miopia) ou curvando-a mais (hipermetropia). Um tratamento assimétrico corrige o astigmatismo.
Acrescentando ou trocando uma lente dentro do olho — é o que fazem o implante de lente fácica (ICL) e a troca do cristalino transparente (TCT/ECT). Indicadas principalmente em graus muito altos, córneas finas ou pacientes acima de 55 anos que também estão desenvolvendo catarata.
A escolha entre mexer na córnea ou usar uma lente intraocular depende de variáveis específicas: grau, espessura corneana, topografia, idade, profissão e expectativas do paciente. Não existe 'a melhor técnica' no vácuo — existe a melhor técnica para o seu olho e para a sua vida.
A PRK (Photorefractive Keratectomy) é a forma mais antiga de cirurgia refrativa com excimer laser e, ao mesmo tempo, a mais segura sob o ponto de vista biomecânico da córnea — porque não cria flap.
Como é feita
Após a anestesia tópica com colírio, o epitélio corneano (a fina camada de células que recobre a córnea) é removido em uma área de 7 a 9 mm, seja por aplicação de uma solução alcoólica diluída, por instrumento manual ou com o próprio laser (técnica transepithelial PRK). Em seguida, o excimer laser é aplicado diretamente sobre o estroma corneano, esculpindo a nova curvatura segundo o grau do paciente. Ao final, uma lente de contato terapêutica é colocada para proteger a superfície até o epitélio se regenerar.
Recuperação
O epitélio leva de 3 a 5 dias para fechar novamente. Durante esse período há desconforto moderado — sensação de areia, lacrimejamento, fotofobia e visão embaçada. Usamos colírios analgésicos, anti-inflamatórios, antibióticos e analgésicos orais para o conforto. A lente terapêutica é retirada tipicamente no quinto dia.
A visão funcional volta entre 7 e 14 dias. A visão final, com estabilidade total, é atingida entre 1 e 3 meses.
Quando a PRK é a melhor escolha
Córneas finas (paquimetria limítrofe, tipicamente abaixo de 500 μm), onde criar flap de LASIK seria arriscado.
Pacientes que praticam esportes de contato (artes marciais, rugby, boxe) ou profissões com risco de trauma ocular (militares, bombeiros, policiais). Sem flap, não há risco de deslocamento traumático.
Casos em que a topografia pré-operatória mostra pequenas irregularidades ou suspeitas que recomendam uma cirurgia sem violação das camadas mais profundas.
Córneas com relevo levemente suspeito em que a PRK, combinada ou não com crosslinking profilático, é preferida ao LASIK.
A desvantagem da PRK é exatamente a recuperação — mais desconfortável nos primeiros dias e mais lenta nas primeiras semanas. O resultado visual final, porém, é equivalente ao LASIK em olhos adequados.
LASIK: a técnica com flap
O LASIK (Laser in situ Keratomileusis) é, provavelmente, a cirurgia refrativa mais realizada no mundo. Combina um corte lamelar (flap) com a aplicação do excimer laser no interior da córnea, permitindo recuperação rápida e pouco desconforto.
Como é feita
A etapa inicial cria o flap: um disco fino de córnea, com cerca de 100–120 μm de espessura e articulação em uma das extremidades (a 'dobradiça'). No passado, o flap era feito com um microcerátomo mecânico; hoje, o padrão-ouro é o laser de femtosegundo, que cria o flap por fotodisrupção com precisão submicrométrica e geometria customizável.
Com o flap levantado, o excimer laser é aplicado diretamente no estroma corneano, esculpindo a nova curvatura. O flap é então reposicionado — sem necessidade de pontos. A força de adesão natural do estroma mantém o flap em posição desde as primeiras horas.
Recuperação
A recuperação é rapidíssima. Já no primeiro dia a visão costuma estar funcional; em 48 a 72 horas, a maioria dos pacientes dirige, trabalha diante do computador e retoma a vida social. O desconforto pós-operatório é mínimo — geralmente algum lacrimejamento e sensação leve de corpo estranho no dia da cirurgia.
A visão final é atingida entre 2 e 6 semanas. O pico de olho seco pós-LASIK ocorre nos primeiros 3 meses e tende a melhorar ao longo do primeiro ano.
Vantagens e limitações do LASIK
Recuperação rápida — principal diferencial para quem não pode afastar-se por muitos dias.
Pouco desconforto nos primeiros dias.
Requisitos mais restritivos de espessura corneana — em geral, precisamos de pelo menos 490–500 μm de paquimetria e leito residual estimado ≥ 280–300 μm após a ablação.
Risco de ressecamento ocular temporário nos primeiros meses, por secção dos nervos corneanos superficiais.
Presença do flap, que permanece como uma camada cirúrgica ao longo da vida e pode, raramente, ser deslocado por traumas significativos.
SMILE: a cirurgia sem flap e com incisão pequena
SMILE (Small Incision Lenticule Extraction) é a técnica mais recente entre as três, introduzida clinicamente em 2011 pela Carl Zeiss Meditec. É realizada inteiramente com laser de femtosegundo — não usa excimer. Em vez de remover tecido por ablação, o laser recorta um lentículo no interior da córnea, que é então extraído manualmente por uma incisão lateral de 2 a 4 mm.
Como é feita
Sob anestesia tópica, o laser VisuMax desenha um disco de tecido (o lentículo) com espessura proporcional ao grau a ser corrigido. Em seguida, uma pequena incisão lateral, bem menor que o flap do LASIK, é criada para permitir o acesso ao lentículo, que é retirado com um instrumento delicado. A córnea acomoda-se sobre o espaço onde o lentículo estava, alterando a curvatura — é como 'tirar uma lente de dentro da córnea'.
Recuperação e vantagens
A recuperação visual é intermediária entre PRK e LASIK — normalmente melhor que a PRK e ligeiramente mais lenta que a do LASIK nos primeiros 3 dias. A vantagem biomecânica é real: sem flap e com incisão pequena, a córnea mantém mais integridade estrutural.
Menor agressão biomecânica que o LASIK — estudos laboratoriais mostram preservação maior da resistência corneana comparado ao LASIK, sobretudo em graus altos. Vale dizer, no entanto, que a PRK continua sendo a técnica com menor impacto biomecânico — por não criar flap nem lentículo, preserva integralmente as camadas mais resistentes do estroma anterior.
Menor impacto sobre os nervos corneanos — o risco e a magnitude do olho seco pós-operatório tendem a ser menores nos primeiros meses, embora, a longo prazo, a diferença em relação ao LASIK tenda a se equilibrar.
Sem flap — sem risco de deslocamento traumático, vantagem compartilhada com a PRK. Vale dizer que, no femto-LASIK moderno, o risco prático de deslocamento do flap já é bastante pequeno.
Limitações
Custo mais alto — tanto o equipamento quanto o insumo são mais caros, refletindo no valor final.
Indicação ainda centrada em miopia e astigmatismo miópico. A correção de hipermetropia com SMILE (hyperopic SMILE) existe, mas tem disponibilidade clínica limitada no Brasil.
Retoque é um pouco mais complexo — quando necessária reablação, costumamos usar PRK sobre o leito residual.
Curva de aprendizado do cirurgião importa — a extração do lentículo é uma manobra manual delicada; a experiência do cirurgião se reflete diretamente no resultado.
Durante muitos anos, a cirurgia refrativa apenas corrigia o grau esférico (miopia/hipermetropia) e o astigmatismo cilíndrico — aquilo que aparece na receita de óculos. Hoje, sabemos que o olho humano tem também aberrações de alta ordem (coma, trefoil, aberração esférica, aberração secundária) que, somadas, influenciam a qualidade da visão, sobretudo à noite. As plataformas modernas oferecem três caminhos principais de personalização:
Wavefront-optimized — o perfil de ablação é pré-compensado para evitar o aumento da aberração esférica induzido pelas curvaturas mais planas no centro. É o padrão atual em muitas plataformas e representa uma melhora significativa em relação aos perfis convencionais.
Wavefront-guided — um aberrômetro mede as aberrações individuais do olho do paciente, e o laser usa essa medida para personalizar o tratamento. Funciona muito bem em olhos com aberrações de alta ordem clinicamente relevantes (halos, starbursts, visão borrada em baixa luminosidade mesmo com grau 'perfeito'). Também é útil para retoques de olhos previamente operados com sintomas visuais qualitativos.
Topography-guided — a personalização parte do mapa topográfico da córnea em vez do wavefront do olho inteiro. É especialmente útil em córneas com irregularidades documentadas — cicatrizes, ectasias limítrofes, olhos que passaram por RK ou LASIK anteriormente. O protocolo Contoura Vision (Alcon) e o CRS-Master do MEL 90 (Zeiss) são exemplos clinicamente consagrados.
A escolha entre perfil convencional, otimizado, wavefront-guided ou topography-guided depende de quanto as aberrações de alta ordem daquele olho específico impactam a qualidade visual. Não é preciso tratar todo paciente com a versão 'mais sofisticada' — o ganho real existe quando o exame justifica. Em olhos de geometria normal e aberrações dentro da média, o wavefront-optimized já entrega excelente resultado.
Vale citar, inclusive, que a Cochrane — instituição de referência mundial em avaliação de qualidade de evidências médicas (Medicina Baseada em Evidências) — publicou uma revisão sistemática em que concluiu não haver dados claros que permitam recomendar o tratamento topography-guided ou wavefront-guided como superior para a maioria dos pacientes: o resultado tende a ser semelhante ao do wavefront-optimized. A personalização mais sofisticada se justifica em olhos específicos (aberrações de alta ordem clinicamente relevantes, córneas irregulares, retoques com sintomas qualitativos), não como padrão para todos.
Na consulta, o aberrômetro e a tomografia de córnea nos dão, juntos, a informação necessária para decidir o perfil. Quando a topografia mostra irregularidade relevante ou o paciente relata sintomas qualitativos desproporcionais ao grau, a personalização vale muito.
Cirurgia precisa, visão clara: laser, monitores e instrumental de alta tecnologia na Ortolan Oftalmologia.
As plataformas a laser: quem faz o quê
Saber a técnica (PRK, LASIK, SMILE) não é suficiente; a plataforma de laser utilizada também tem peso real no resultado. As principais em uso hoje no Brasil:
Wavelight EX500 (Alcon)
Excimer laser de 500 Hz com sistema avançado de rastreamento ocular e cabeçote integrado com o laser de femtosegundo FS200 (família Refractive Suite). É a plataforma mais utilizada em centros brasileiros de referência e oferece perfis Wavefront-Optimized, Wavefront-Guided e Contoura Vision (topography-guided). Também roda o protocolo StreamLight de PRK transepitelial (T-PRK) — em que o próprio laser remove o epitélio antes da ablação estromal. É a plataforma na qual realizamos a maior parte das cirurgias de LASIK, PRK e StreamLight na Ortolan Oftalmologia, além do protocolo Alcon READ para presbiopia.
MEL 90 (Carl Zeiss)
Excimer laser da Zeiss com 250 Hz, algoritmos CRS-Master e TriplA para perfis personalizados. É a plataforma usada para o protocolo PRESBYOND Blended Vision e para perfis Triple-A de PRK e LASIK. Combina com o femtosegundo VisuMax para LASIK e para SMILE — compondo um ecossistema completo para refrativa.
VisuMax (Carl Zeiss)
Laser de femtosegundo de 500 kHz, plataforma dedicada para criação do flap de LASIK e, principalmente, para o SMILE. Tem sistema de acoplamento curvo (curved contact glass) que diminui a pressão sobre o olho durante a cirurgia, o que alguns pacientes percebem como maior conforto. É hoje o padrão-ouro para SMILE e a próxima geração (VisuMax 800) amplia a velocidade de tratamento.
Amaris 1050RS (Schwind)
Excimer laser alemão de 1050 Hz — o mais rápido do mercado — com rastreamento em 7 dimensões (incluindo rotação cíclica e deslocamento do eixo Z). É particularmente apreciado por perfis SmartSurf, uma variante elegante de PRK transepitelial totalmente automatizada, em que o próprio laser remove o epitélio antes da ablação estromal.
O que isso significa na prática
Para o paciente, a diferença entre plataformas bem mantidas, operadas por cirurgiões experientes, é menor do que a diferença entre um bom pré-operatório e um pré-operatório superficial. Plataformas modernas são todas excelentes. Mais importante é garantir que a indicação, o perfil de ablação e o cuidado pós-operatório sejam os adequados para o seu caso.
Também é útil entender como funciona a divisão entre cirurgião e equipamento. O laser é programado com os dados da refração e dos exames, e é calibrado antes de cada cirurgia. O cirurgião dispara o laser por meio de um pedal — ou seja, o ato do disparo é dele, a cada pulso ou durante toda a sequência. O que é automatizado é a mira: um sistema de eye-tracking acompanha em tempo real o movimento do olho do paciente e ajusta a posição de cada pulso de laser, garantindo que o tratamento ocorra exatamente no ponto planejado mesmo quando o paciente tem dificuldade para fixar o olhar. Ao cirurgião cabem a indicação, a criação do flap ou do lentículo, o posicionamento preciso do paciente, a decisão de disparar (e pausar) o laser, o controle do pós-operatório e a condução de qualquer intercorrência — a tecnologia do laser apoia e refina o gesto cirúrgico, sem substituí-lo.
Uma consulta de cirurgia refrativa bem conduzida é uma conversa, não um discurso. Perguntas que ajudam o paciente a avaliar se a indicação é sólida:
'Quantas e quais variáveis foram avaliadas além do grau?' — idealmente, refração estática e cicloplégica, tomografia de córnea, mapa epitelial, paquimetria, pupilometria, avaliação do filme lacrimal, mapeamento de retina.
'Minha paquimetria permite LASIK com margem de segurança?' — saber o valor em micrômetros e entender o leito residual previsto após a ablação.
'A minha tomografia de córnea está normal?' — em especial, perguntar sobre os índices de Belin/Ambrósio (BAD-D) — específicos do Pentacam, mas com análogos em outros sistemas (Galilei, Sirius, Revo, Scansys) —, a avaliação da córnea anterior, a avaliação da córnea posterior, o mapa paquimétrico, a ceratometria, a asfericidade (Q value), o mapa epitelial e os índices de progressão. Irregularidade nesses parâmetros é motivo para repensar o LASIK — nesses casos, a PRK pode ser a opção mais segura.
'Meu olho seco está compensado?' — olho seco mal controlado é a principal causa de insatisfação pós-LASIK.
'Quais os riscos específicos do meu caso?' — a resposta genérica não ajuda. Cada olho tem um perfil de risco próprio.
'Qual técnica você recomenda para mim e por quê?' — e ouvir o racional em profundidade.
'O que acontece se o resultado não for o esperado? Qual é a conduta para retoque?' — saber de antemão como funciona a cobertura de retoque da clínica.
'Quantos anos de experiência o senhor(a) tem nesta técnica específica?' — é uma pergunta legítima. Cirurgia refrativa tem curva de aprendizado; cirurgiões com milhares de casos no currículo têm desfechos melhores.
Também é legítimo perguntar qual plataforma de laser será utilizada e qual é o protocolo de pós-operatório (colírios, retornos, exames de controle). Esses detalhes variam entre clínicas e interferem diretamente na experiência.
Cuidados na semana antes da cirurgia
Algumas orientações simples que melhoram o resultado e a segurança:
Suspender lentes de contato: gelatinosas por pelo menos 7 dias antes dos exames finais; rígidas gás-permeáveis por 2 a 4 semanas. As lentes deformam a córnea e podem mascarar irregularidades na tomografia — daí a suspensão ser indispensável.
Lubrificação intensiva do olho nos 7 a 14 dias anteriores, especialmente se houver olho seco, para otimizar a superfície ocular no dia do procedimento.
Evitar maquiagem palpebral nas 24 a 48 horas anteriores à cirurgia.
Higiene palpebral nos dias que antecedem a cirurgia, reduzindo a carga bacteriana da margem palpebral.
Dormir bem na véspera — cirurgia acordada funciona melhor com paciente descansado e relaxado.
Evitar bebida alcoólica nas 24 horas anteriores.
Vir acompanhado e planejar não dirigir no dia.
Especialistas formados na USP: córnea, catarata e cirurgia refrativa.
Correção de grau moderna na Ortolan Oftalmologia.
Custo-efetividade: cirurgia vs. óculos e lentes ao longo da vida
Um ponto pouco discutido: operar pode ser economicamente racional. Um paciente de 30 anos que usa lentes de contato e óculos de grau costuma gastar, ao longo dos anos:
Troca de óculos a cada 2–3 anos (armação + lentes antirreflexo): para a maioria dos pacientes, a faixa é de aproximadamente R$ 750 a R$ 1.500 por troca. Em graus altos com lentes de alto índice de refração, pode ultrapassar R$ 3.000 (monofocais) e chegar a R$ 12.000 a R$ 14.000 em certos óculos multifocais premium.
Lentes de contato de uso regular: para a maioria dos pacientes, o gasto gira entre R$ 1.000 e R$ 2.000 por ano (lentes + soluções + estojos + eventuais trocas por perda/quebra). Em graus altos ou em lentes especiais (tóricas, multifocais, gás-permeáveis, esclerais), o valor pode ser bem maior. Some a isso as consultas de adaptação e eventuais tratamentos de olho seco associados ao uso prolongado.
Consultas e exames de acompanhamento para quem usa lentes ou tem grau alto: somam um custo recorrente ao longo dos anos.
Vale ressaltar que, a partir dos 40–45 anos, a presbiopia surge e exige óculos para perto — mas, nesse momento, a grande maioria dos pacientes já tem a parte de longe bem resolvida pela cirurgia, e os óculos de leitura tendem a ter grau baixo e custo menor do que os óculos multifocais de vida toda. Essa transição também muda a conta para quem continua dependente de óculos para longe, pois a necessidade de multifocais ou progressivos encarece significativamente a troca.
Mesmo em estimativas conservadoras, em 5 a 10 anos o valor acumulado em óculos e lentes de contato se aproxima ou supera o investimento da cirurgia refrativa — e, no longo prazo, tende a ficar claramente abaixo. É uma lógica semelhante à da compra de um imóvel versus alugar para sempre: o custo inicial é maior, mas o custo acumulado é decisivamente menor.
Obviamente, a decisão não se reduz a dinheiro. Mas é útil para o paciente saber que o custo da cirurgia, embora relevante hoje, tende a ser competitivo ou menor do que o custo acumulado de viver com óculos e lentes pelas próximas décadas, dependendo do perfil de grau e do tipo de correção usada.
Essa é a pergunta que mais recebo. A resposta honesta é: as três são excelentes quando bem indicadas. O resultado visual final, depois de estabilizada a cirurgia, é muito semelhante entre as técnicas. O que muda é o perfil de recuperação, o grau de restrição e a adequação ao olho e à vida do paciente.
Um resumo prático:
PRK: menos exigente quanto à espessura da córnea, mais segura para esporte de contato, recuperação mais lenta e desconfortável nos primeiros dias.
LASIK: recuperação rápida e confortável, exige mais espessura, mantém um flap permanente.
SMILE: preserva melhor a biomecânica, recuperação intermediária, custo maior, indicação mais centrada em miopia e astigmatismo miópico.
Na consulta, avalio topografia, tomografia de córnea (Pentacam, Galilei, Revo OCT, Scansys, Visante ou similar), paquimetria, mapa epitelial, biometria, refração estática e cicloplégica, análise do filme lacrimal, pupila escotópica e estilo de vida. Com esses dados decidimos, em conjunto com o paciente, a técnica mais adequada.
Lente fácica (ICL): quando o laser não é o melhor caminho
A lente fácica é implantada atrás da íris, preservando o cristalino natural.
A lente fácica (ICL), ou Implantable Collamer Lens, é uma lente intraocular fina (cerca de 50 μm) implantada entre a íris e o cristalino, em cirurgia microincisional. Ao contrário do laser, que remove tecido, a ICL adiciona poder óptico ao olho sem mexer na córnea. Saiba mais sobre a cirurgia de lente fácica.
A ICL é indicada principalmente em:
Miopia alta, tipicamente acima de −8,00 a −10,00 dioptrias, onde a ablação corneana com laser seria excessiva.
Córneas finas ou com topografia limítrofe, onde LASIK e até PRK não são seguros.
Olho seco moderado a grave, que tende a piorar com cirurgia corneana.
Pacientes jovens com alta exigência visual (qualidade óptica) e graus elevados, onde a ICL costuma entregar qualidade visual superior à cirurgia corneana nos mesmos graus.
O procedimento é feito sob anestesia tópica, dura cerca de 15 a 20 minutos por olho e a recuperação visual costuma ser imediata — a maioria dos pacientes enxerga bem já no dia seguinte. Uma vantagem importante é a reversibilidade: a ICL pode ser removida ou trocada no futuro, se for preciso.
Do ponto de vista prático, a ICL compete com LASIK e SMILE em graus mais altos, ganhando em qualidade óptica e em segurança biomecânica, mas com custo mais alto e uma cirurgia intraocular (ainda que de baixo risco em mãos experientes).
Lente fácica (ICL): liberdade de ver o mundo sem limites, especialmente em altos graus e córneas finas.
Troca do cristalino transparente (TCT/ECT): a opção acima dos 55 anos
Em pacientes acima dos 55 anos com presbiopia estabelecida e graus moderados a altos, a troca do cristalino transparente (TCT), também chamada de extração do cristalino transparente (ECT) — e conhecida internacionalmente como *refractive lens exchange* (RLE) — torna-se a opção mais previsível. O procedimento é tecnicamente idêntico à cirurgia de catarata: substitui-se o cristalino natural por uma lente intraocular calculada para o grau desejado, podendo-se escolher lentes premium (multifocais, EDOF, tóricas ou EDOF estendida) que corrigem simultaneamente miopia/hipermetropia, astigmatismo e presbiopia.
No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) orientam que a troca refrativa de cristalino em olhos sem catarata seja indicada preferencialmente a partir dos 55 anos. Essa orientação protege pacientes mais jovens de uma cirurgia intraocular que, mesmo com baixa taxa de complicações, tem riscos próprios (endoftalmite, descolamento de retina, edema macular cistoide) e elimina definitivamente a acomodação natural do cristalino.
A troca refrativa é particularmente interessante para pacientes que já perceberam os primeiros sinais de opacidade do cristalino — nesses casos, a cirurgia resolve tanto o grau quanto antecipa o tratamento da futura catarata.
A avaliação pré-operatória: por que ela é o coração da cirurgia refrativa
A maior parte das complicações da cirurgia refrativa é evitada — não no centro cirúrgico, mas na consulta. Uma avaliação pré-operatória rigorosa é a diferença entre um resultado excelente e uma complicação séria. É por isso que na Ortolan Oftalmologia dedico a consulta de avaliação inteira a esse processo.
Exames indispensáveis
Refração estática e dinâmica — medição do grau antes e depois do uso de colírio cicloplégico (que relaxa o músculo acomodador e revela o grau real).
Tomografia de córnea (Pentacam, Galilei, Revo OCT, Scansys, Visante ou similar) — para descartar ceratocone e ectasias subclínicas.
Mapa epitelial por OCT de córnea — detecta ceratocone subclínico não visto na topografia convencional.
Biometria óptica — fundamental se houver possibilidade de lente fácica ou troca de cristalino.
Avaliação do filme lacrimal (menisco lacrimal, tempo de ruptura, meibografia quando indicada) — olho seco mal tratado é a causa número um de insatisfação pós-LASIK.
Pupilometria escotópica — pupilas grandes com zona de ablação relativamente pequena têm maior risco de halos e glare à noite.
Mapeamento de retina dilatado — descarta rupturas, degenerações ou outras alterações retinianas antes da cirurgia.
Em uma parcela significativa das avaliações identificamos pelo menos um achado que muda a conduta — seja um ceratocone subclínico que contraindica LASIK, uma córnea fina que direciona para PRK, um olho seco grave que exige tratamento prévio ou uma pupila grande que pede ajuste da zona óptica.
Por que a tomografia de córnea é preferida à topografia simples
Durante muitos anos, a avaliação pré-operatória da córnea dependia da combinação de topografia (mapa de curvatura da face anterior) + paquimetria ultrassônica em ponto único (medida da espessura no centro). Essa dupla ainda é útil, mas a tomografia de córnea (Pentacam, Galilei, Revo OCT, Scansys, Visante ou equipamento similar) oferece um retrato muito mais completo e, hoje, é preferida em qualquer avaliação para cirurgia refrativa — especialmente quando o paciente tem grau alto, córnea limítrofe, astigmatismo assimétrico ou histórico familiar de ceratocone.
As vantagens práticas da tomografia sobre topografia + paquimetria isolada:
Análise da córnea posterior — a face posterior é a primeira a se deformar no ceratocone subclínico; a topografia convencional só enxerga a face anterior. A tomografia detecta elevação posterior anormal antes que o paciente apresente sintomas.
Mapas de elevação (anterior e posterior) — comparam a curvatura real do paciente com uma melhor superfície esférica de referência (BFS), revelando assimetrias que a topografia por reflexão não mostra.
Paquimetria em mapa, não apenas em ponto — o tomógrafo mostra a espessura ponto a ponto na córnea inteira, localizando o ponto mais fino (que raramente coincide com o centro) e calculando índices de progressão de espessura (PPI, CTSP) usados para detectar ceratocone precoce.
Mapa epitelial (em tomógrafos com OCT) — a camada epitelial remodela antes da curvatura estromal mudar, servindo como sinal precoce de ceratocone subclínico. O afilamento epitelial focal sobre uma área de inclinação aumentada é um dos marcadores mais sensíveis hoje.
Análise de asfericidade (Q value) e índices derivados — o Q value descreve o quanto a córnea se achata do centro à periferia. Valores muito negativos (mais prolata) ou muito positivos (mais oblata) sinalizam padrões atípicos; ajudam a planejar perfis de ablação personalizados e a detectar assimetrias biomecânicas.
Índices automáticos de risco como BAD-D (Belin/Ambrósio Display), ABCD (Belin), Corvis ST (quando disponível) — sintetizam a tomografia em um score que comunica risco de forma prática. Hoje, nenhum protocolo sério de cirurgia refrativa depende apenas de topografia + paquimetria simples.
Em termos clínicos: tomografia de córnea moderna detecta ceratocone precoce que a topografia simples perderia. Como o ceratocone subclínico é a principal razão para não operar LASIK, a diferença se traduz diretamente em segurança do paciente.
Estabilidade refracional
Um critério que não aceita flexibilização: o grau precisa estar estável há pelo menos 12 meses. Solicito sempre as receitas anteriores ou, na falta delas, um período de observação. Operar um paciente cuja miopia ainda está progredindo resulta em recidiva previsível — e, nesse caso, o problema não foi a cirurgia, foi a indicação.
O que a literatura e o FDA dos Estados Unidos consideram 'grau estável'? A definição mais aceita — adotada em todos os estudos pivotais de aprovação do excimer laser, LASIK e SMILE — é: variação esférica equivalente (SE) ≤ 0,50 dioptria em duas medidas seguidas, com intervalo mínimo de 12 meses entre elas. Na prática, comparo a refração atual com a do ano anterior: se o esférico equivalente mudou 0,50 D ou menos, o grau é considerado estável para fins cirúrgicos. Em olhos de miopia mais alta ou em pacientes mais jovens, costumamos estender o intervalo para 18 a 24 meses de estabilidade documentada antes de operar, porque a variabilidade natural pode se esconder em curtas janelas.
Em crianças e adolescentes a miopia quase sempre está progredindo — motivo pelo qual a idade mínima de 18 anos existe como regra. Mesmo acima dos 18, adultos jovens, míopes altos, usuários prolongados de lentes de contato rígidas ou pacientes submetidos a mudanças hormonais (gestação, amamentação, terapia hormonal) precisam de avaliação redobrada dessa estabilidade antes de entrar no centro cirúrgico.
Quem pode fazer cirurgia refrativa
Critérios clássicos para a maioria dos pacientes:
Idade mínima de 18 anos — antes disso, a refração raramente é estável.
Grau estável há pelo menos 12 meses.
Saúde ocular geral: córnea transparente e regular, pressão intraocular normal, ausência de patologias ativas da retina ou do nervo óptico.
Faixa de grau: miopia de −0,50 a aproximadamente −10,00 D (laser corneano) ou até −18,00 D (lente fácica); hipermetropia até +6,00 D; astigmatismo até −4,00 D no laser e até −6,00 D em casos selecionados.
Pressão intraocular normal e ausência de glaucoma — pacientes com glaucoma precisam de avaliação especial pelo especialista.
Contraindicações ao laser corneano incluem ceratocone e ectasias corneanas, gravidez e amamentação (refração instável), doenças autoimunes em atividade, herpes ocular prévio (risco de reativação), olho seco grave não controlado e cicatrizes corneanas centrais. Em córneas finas ou com topografia limítrofe, podemos indicar PRK combinada com crosslinking profilático ou lente fácica.
A cirurgia refrativa é ambulatorial. O paciente chega ao centro cirúrgico, troca a roupa por um avental simples e permanece desperto durante todo o procedimento. Não há necessidade de anestesia geral ou sedação endovenosa na maioria dos casos — apenas colírios anestésicos e, em pacientes muito ansiosos, uma medicação oral leve de ansiólise.
O cirurgião explica cada passo enquanto ele acontece. O paciente é orientado a olhar fixamente para uma luz de referência; o laser tem sistema de rastreamento ocular (eye-tracker) que acompanha pequenos movimentos automaticamente. Mesmo que o olho se desvie ou o paciente pisque, o laser pausa e retoma com precisão.
A duração total varia conforme a técnica — o laser propriamente dito dura segundos por olho (tipicamente entre 10 e 40 segundos, dependendo do grau); o tempo maior é o de preparação (anestesia, antissepsia, posicionamento). Tempos médios, com os dois olhos, na minha prática:
PRK convencional: cerca de 6 a 12 minutos.
PRK StreamLight (T-PRK transepitelial): cerca de 4 a 5 minutos — o próprio laser remove o epitélio, eliminando um dos passos.
FemtoLASIK (femtosegundo + excimer): cerca de 15 a 25 minutos, incluindo a criação do flap com laser de femtosegundo e a ablação.
PRESBYOND (LASIK Blended Vision para presbiopia): 15 a 25 minutos, equivalente ao FemtoLASIK, já que usa a mesma arquitetura de flap + ablação personalizada.
Após a cirurgia, o paciente descansa por alguns minutos, recebe as instruções finais e vai para casa. Não é possível dirigir no dia do procedimento — oriento sempre vir acompanhado.
Recuperação e pós-operatório
O pós-operatório varia conforme a técnica:
Após LASIK ou SMILE
Dia 0: sensação leve de corpo estranho, lacrimejamento, visão embaçada e fotofobia. Recomenda-se dormir cedo com escudo protetor.
Dia 1: visão geralmente boa o suficiente para atividades leves e uso moderado do computador. O paciente comparece ao consultório para revisão.
Dias 2–3: maioria dos pacientes retoma trabalho, exercícios leves e atividade social sem restrições importantes.
Semanas 1–4: estabilização do grau e melhora gradual de eventuais sintomas de olho seco.
Meses 2–3: visão final atingida, com estabilidade.
Após PRK
Dias 1–4: desconforto moderado (ardência, sensação de areia, lacrimejamento), controlado com lente terapêutica, colírios e analgésicos orais.
Dia 5: retirada da lente terapêutica em consultório após reepitelização completa.
Semanas 1–2: visão funcional; retorno ao trabalho e atividades habituais, evitando exposição solar intensa.
Meses 1–3: visão final estabilizada.
Colírios padrão no pós-operatório
Antibiótico tópico por 7 a 10 dias.
Anti-inflamatório (esteroide tópico) em esquema de desmame por 2 a 4 semanas.
Lubrificante sem conservantes várias vezes ao dia, por 1 a 3 meses.
Analgésico oral nos dois primeiros dias de PRK, conforme conforto do paciente.
Cuidados e restrições
Evitar coçar os olhos nos primeiros 30 dias — e, idealmente, evitar para sempre.
Evitar piscina, mar e sauna por 30 dias.
Evitar maquiagem palpebral por 15 dias.
Proteção solar com óculos escuros ao ar livre nos primeiros 3 meses.
Evitar esportes de contato por 30 dias (LASIK/SMILE) ou 60 dias (PRK).
Retomar academia leve em 5 a 7 dias; musculação pesada e crossfit em 14 a 21 dias.
A cirurgia refrativa é uma das cirurgias mais seguras da medicina moderna quando bem indicada. Uma revisão sistemática publicada no *Journal of Cataract & Refractive Surgery* analisando mais de 67 mil olhos submetidos a LASIK reportou que 99,5% dos pacientes declararam-se satisfeitos, e as taxas de complicação com impacto visual significativo foram menores que 1%. Nada disso, porém, significa 'sem riscos' — e a transparência sobre eles faz parte da consulta.
Olho seco temporário: o risco mais comum no pós-LASIK. Afeta a maioria dos pacientes em grau leve nos primeiros meses; em torno de 10–20% apresentam sintomas moderados por 3 a 6 meses; casos persistentes acima de 12 meses são raros. A PRK tem menos impacto sobre o filme lacrimal; o SMILE, ainda menos.
Sub ou sobrecorreção: entre 2% e 10% dos pacientes ficam com um pequeno grau residual. Quando incomoda, o retoque (retratamento) pode ser feito depois de estabilizada a cirurgia.
Halos, glare e starbursts noturnos: mais frequentes em pacientes com pupilas grandes ou graus altos; tendem a melhorar nos primeiros 6 meses.
Haze corneano: discreta cicatrização esbranquiçada subepitelial, praticamente restrita à PRK em altos graus. Minimizada com uso profilático de mitomicina C durante a cirurgia.
Problemas de flap (LASIK): estrias, deslocamento, epitelização do leito — raros em cirurgiões experientes, tratáveis se detectados precocemente.
Ceratite infecciosa: infecção bacteriana, fúngica ou por Acanthamoeba da córnea — raríssima (< 1 em 5.000 casos). Risco reduzido com antibioticoprofilaxia e higiene rigorosa.
Ectasia corneana pós-LASIK: enfraquecimento biomecânico progressivo da córnea — a complicação mais temida. Sua incidência é de aproximadamente 1 em 2.500 casos em pacientes sem fatores de risco identificáveis, e cai drasticamente quando a tomografia de córnea e o mapa epitelial pré-operatórios são avaliados por cirurgião experiente.
Ceratite intersticial lamelar (DLK) e síndrome de areias do Saara: inflamação estéril dentro do flap nos primeiros dias — tratável com corticoide intensivo.
É importante dizer que cegueira por cirurgia refrativa é extremamente rara — os registros mundiais têm menos de uma dúzia de casos publicados ao longo de 30 anos, quase todos por infecção grave ou complicação associada a fator de risco não identificado. O risco real de redução permanente de duas ou mais linhas de acuidade visual fica bem abaixo de 1% nos estudos de grande porte.
Resultados e expectativas: o que esperar
Dados consolidados de estudos multicêntricos (AAO Preferred Practice Patterns, revisões Cochrane e metanálises recentes) mostram, para miopes moderados:
~96% atingem visão suficiente para dirigir sem óculos (20/40 ou melhor, dentro do exigido no Brasil para a CNH B).
~85–90% atingem 20/20 sem óculos.
~95% estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o resultado, em questionários validados.
~5–10% necessitam de retoque para refinar um pequeno grau residual.
Expectativas razoáveis para a consulta:
A cirurgia resolve o grau existente hoje, com estabilidade previsível. O grau não 'volta' — quando alguém percebe piora anos depois, geralmente é nova miopia progressiva (raro em adultos) ou, muito mais comum, o surgimento da presbiopia entre os 40 e 47 anos.
Operar perto dos 30 anos, em um paciente que usa óculos há muito tempo, costuma ter impacto emocional relevante além do visual — adaptar-se a enxergar sem óculos pode ser desconcertante nas primeiras semanas.
Em casos de graus altos, pode persistir um pequeno erro refracional após a cirurgia — mas mesmo esse resíduo tende a ser muito menor que o grau original.
Sua visão com mais nitidez: comparativo entre o antes (embaçado) e o depois (focado) que a cirurgia refrativa entrega.
Excelência em oftalmologia, focado em você — atendimento individualizado em cada etapa da cirurgia refrativa.
Cirurgia refrativa para presbiopia (vista cansada)
A presbiopia é o endurecimento progressivo do cristalino que, a partir dos 40 anos, dificulta o foco para perto. É um processo biológico — não tem relação com o grau corrigido pela cirurgia refrativa, e aparece mesmo em quem foi operado e 'libertou-se' dos óculos para longe.
Para pacientes que querem independência também para perto, há várias abordagens — e na Ortolan Oftalmologia trabalhamos com protocolos específicos para cada perfil.
Protocolo Alcon READ (FemtoLASIK ou PRK com perfil multifocal)
O READ (Refractive Extended Ablation Design) é o protocolo da Alcon para correção de presbiopia com excimer laser. Utiliza um perfil de ablação customizado na plataforma Wavelight EX500 que cria zonas de curvatura diferenciadas na córnea, ampliando a profundidade de foco do olho dominante para longe e do não-dominante para perto — com transição suave e boa qualidade óptica. Na Ortolan Oftalmologia, costumamos realizar o READ com FemtoLASIK (flap criado pelo laser de femtosegundo FS200 + ablação READ no excimer EX500), embora o protocolo possa ser aplicado também sobre PRK em casos específicos. É uma opção interessante para pacientes entre 40 e 55 anos com cristalino ainda transparente e expectativa de independência ampla dos óculos.
Uma aplicação muito frequente na prática: em pacientes que já têm grau muito baixo para longe (por exemplo, quem enxerga bem de longe e só incomoda para perto por causa da presbiopia), costumamos tratar apenas o olho não dominante com o READ FemtoLASIK, criando ali a zona de curvatura para perto e preservando o olho dominante para longe. É um tratamento pontual, de baixa agressão e de excelente resultado para muitos pacientes — resolve a leitura sem mexer no olho que já enxerga bem de longe.
Para pacientes que querem se preparar melhor antes de decidir, um teste prévio com lente de contato multifocal (ou com lente simulando o resultado do READ no olho não dominante) é opcional, mas pode ser bastante útil — especialmente para quem já é usuário de lentes de contato, que se adapta mais facilmente ao teste. O teste permite que o paciente experimente, na rotina real do dia a dia, como será a visão resultante — leitura de celular, dirigir, trabalhar no computador — antes de comprometer o resultado com a cirurgia. É um passo que dá mais segurança à decisão e ajuda a calibrar expectativas.
Protocolo PRESBYOND (LASIK Blended Vision, Zeiss)
O PRESBYOND, protocolo da Carl Zeiss para a plataforma MEL 90, é uma evolução sofisticada da monovisão. Em vez da monovisão tradicional (que deixa um olho para longe e outro para perto, com adaptação difícil para muitos pacientes), o PRESBYOND usa um perfil de ablação que aumenta a profundidade de foco de cada olho individualmente e cria uma 'zona de mistura' (blended vision) — os dois olhos trabalham juntos, cobrindo longe, intermediário e perto com menos dependência da adaptação binocular. A tolerância costuma ser muito melhor que a da monovisão clássica.
Monovisão clássica
Na monovisão tradicional, um olho é corrigido plenamente para longe e o outro deixado levemente míope (em geral entre −1,25 e −1,75 D) para enxergar o celular e a leitura. Antes de partir para a cirurgia é indispensável o teste com lente de contato por 2 a 4 semanas — se o paciente não tolerar, não partimos para a cirurgia. A tolerância é boa em cerca de 60–70% dos candidatos.
Lentes intraoculares para presbiopia
Em pacientes acima dos 55 anos, especialmente se já há sinais iniciais de opacificação do cristalino, a troca do cristalino transparente (TCT/ECT) com lente multifocal ou EDOF resolve de uma vez o grau para longe, a presbiopia e elimina o futuro aparecimento da catarata. É o caminho mais previsível nessa faixa etária.
Presbiopia: avaliar Alcon READ, PRESBYOND ou lente intraocular
Existe previsão para cirurgia refrativa no SUS, mas a disponibilidade real é extremamente limitada. Poucos centros universitários e hospitais de referência realizam o procedimento pela rede pública, e o acesso envolve filas longas e critérios rigorosos. O motivo principal é o custo do equipamento: um excimer laser moderno (como Wavelight EX500 ou MEL 90) custa entre 800 mil e 1,5 milhão de reais, além de consumíveis e manutenção. Isso raramente cabe na realidade orçamentária do SUS.
Para quem depende do SUS, o que mais frequentemente está disponível é a cirurgia de catarata — que resolve o grau em pacientes com cristalino já opacificado, uma vez que a lente intraocular implantada pode ser calculada para corrigir miopia, hipermetropia e astigmatismo.
Cirurgia refrativa pelo convênio de saúde
Os planos de saúde regulamentados seguem o Rol de Procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A cirurgia refrativa LASIK/PRK está incluída no rol, com cobertura obrigatória quando o paciente cumpre a Diretriz de Utilização (DUT) vigente.
De forma resumida, o convênio tem cobertura obrigatória quando:
O paciente tem mais de 18 anos.
O grau está estável há pelo menos um ano.
A miopia está entre −5,00 e −10,00 dioptrias esféricas, com ou sem astigmatismo associado até −4,00 DC.
OU a hipermetropia chega até +6,00 D, com ou sem astigmatismo associado até +4,00 DC.
Pacientes com miopia abaixo de −5,00 D, por exemplo, em geral não têm cobertura obrigatória pelo convênio — o que não significa que alguns planos não autorizem mediante análise individual, especialmente em casos de intolerância comprovada a óculos ou lentes de contato. O SMILE e a lente fácica (ICL) em regra não são cobertos pelo convênio.
A equipe da Ortolan orienta o paciente sobre documentação e encaminhamento ao convênio quando os critérios são cumpridos.
Esse é, provavelmente, o tópico mais pesquisado por quem está considerando operar. Vamos à parte prática, com honestidade.
Por que não publicamos o valor específico da Ortolan
Por orientação do Conselho Federal de Medicina (CFM) — Resolução CFM 1.974/2011, atualizada pela Resolução 2.336/2023 —, valores de consultas e procedimentos médicos não podem ser divulgados em canais públicos como sites, redes sociais e publicidade. A regra existe para evitar concorrência por preço em saúde, um terreno em que o interesse do paciente pode colidir com práticas de mercado. É a mesma regra que se aplica a todas as clínicas sérias do país.
Por isso, nos canais públicos, a Ortolan Oftalmologia não divulga preços específicos. Para receber um orçamento individual e transparente, o caminho é o WhatsApp da clínica, onde a conversa é privada e personalizada.
Valores médios praticados no Brasil (referência de mercado)
Mesmo sem citar valores específicos da clínica, é útil ao paciente conhecer a faixa de valores praticada no mercado brasileiro em 2025 — informação amplamente discutida em consultas, associações médicas e publicações especializadas:
PRK e LASIK: no país, os valores médios giram em torno de R$ 6.000 por olho, com variação aproximada de R$ 4.000 a R$ 8.000 dependendo do cirurgião, do centro cirúrgico, da tecnologia do equipamento e da complexidade do caso.
SMILE: por usar plataforma e consumíveis mais caros (VisuMax), o valor médio é maior, tipicamente entre R$ 9.000 e R$ 13.000 por olho.
Lente fácica (ICL): por incluir o custo da lente intraocular importada e uma cirurgia intraocular, costuma ser significativamente maior, geralmente acima de R$ 18.000 por olho.
Troca refrativa de cristalino com lente premium (multifocal, EDOF, tórica): o valor depende fortemente do modelo da lente intraocular, mas parte tipicamente de R$ 12.000 por olho e chega a valores bem acima em lentes premium de última geração.
⚠️ Disclaimer importante: os valores acima são exclusivamente médias de mercado publicadas em fóruns médicos, associações e publicações especializadas no Brasil em 2025. Eles não representam — e não são — os valores praticados pela Ortolan Oftalmologia. O objetivo de trazer essas faixas aqui é estritamente didático: permitir ao paciente entender a ordem de grandeza do investimento e contextualizar a discussão de custo-efetividade (cirurgia vs. óculos e lentes ao longo da vida). Os valores específicos da Ortolan Oftalmologia são informados individualmente, após a avaliação médica completa — por orientação do CFM, nunca em canais públicos. Para receber seu orçamento personalizado, entre em contato pelo WhatsApp da clínica.
O que entra no valor final
Honorário médico (cirurgião e equipe).
Uso do centro cirúrgico e da plataforma laser.
Consumíveis específicos — variam muito entre excimer laser, femtosegundo e VisuMax do SMILE.
Lente intraocular, quando aplicável (ICL ou IOL em TCT/ECT).
Casos clínicos que ilustram o dia a dia do consultório
Estes casos são compostos a partir de pacientes reais atendidos na Ortolan Oftalmologia, com detalhes alterados e combinados para preservar a identidade e a privacidade. Servem para ilustrar decisões que tomamos na prática quando cada caso tem sua particularidade.
Irritação crônica com óculos e lentes é uma das queixas mais comuns que levam o paciente a considerar a cirurgia refrativa.
Caso 1 — Míope de grau moderado, cansado das lentes
Mulher, 30 anos, profissional de marketing, míope de ~−4,50 D em ambos os olhos desde a adolescência, astigmatismo de −1,00 D. Usa lentes de contato gelatinosas diárias há 12 anos, mas nos últimos dois anos vem tolerando cada vez pior — olho vermelho no fim do dia, sensação de areia, dependência crescente de colírios lubrificantes. Grau estável há 3 anos.
Avaliação: paquimetria 542 μm, tomografia de córnea normal, filme lacrimal estável, pupila escotópica 5,8 mm. Conduta: LASIK com perfil wavefront-optimized na Wavelight EX500. Recuperação: visão 20/20 sem óculos no primeiro dia; retorno ao trabalho em 48 horas.
Caso 2 — Miopia alta e córnea limítrofe
Homem, 27 anos, engenheiro, miopia de −8,75 D no olho direito e −9,50 D no esquerdo, astigmatismo de −1,50 D bilateral. Córneas com paquimetria de 488 μm — abaixo do ideal para LASIK em grau tão alto. Queixa importante de halos à noite com os óculos finos (alto grau) e intolerância recente a lente de contato.
Avaliação: tomografia sem sinais de ectasia, mapa epitelial regular, pupilas grandes (6,2 mm). Conduta: lente fácica (ICL) em ambos os olhos, em cirurgias separadas por 15 dias. Resultado: visão 20/20 sem correção, qualidade óptica superior à que teria obtido com laser no mesmo grau, halos praticamente eliminados.
Caso 3 — Atleta amador, esportes de contato
Homem, 34 anos, praticante regular de jiu-jitsu há 10 anos, miopia de −2,75 D, astigmatismo de −0,75 D. Córnea de 520 μm, topografia impecável. Perdia lentes de contato no treino, sofria irritação com óculos esportivos.
Avaliação: perfil excelente para laser. Decisão compartilhada: PRK em vez de LASIK, para eliminar qualquer risco de deslocamento de flap em combate. Recuperação: desconforto moderado de 4 dias; visão 20/25 no quinto dia; 20/20 em três semanas; retorno ao tatame em 60 dias.
Caso 4 — Presbiopia inicial, busca independência para perto
Mulher, 47 anos, miopia de −1,25 D com astigmatismo de −0,50 D, começando presbiopia há um ano, intolerante à monovisão tradicional quando testada com lente de contato. Muita atividade em computador e smartphone.
Avaliação: boa saúde ocular, córnea normal, cristalino transparente. Conduta: LASIK bilateral com protocolo PRESBYOND Blended Vision (Zeiss MEL 90). Resultado: boa visão para longe e intermediário em ambos os olhos, leitura prolongada confortável na maior parte do dia, eventual uso de óculos apenas para leitura muito pequena em baixa luminosidade.
Caso 5 — Ectasia pós-LASIK antigo, necessidade de tratamento misto
Homem, 42 anos, operado com LASIK há 15 anos (técnica antiga, microcerátomo), apresentou nos últimos 5 anos piora progressiva da visão, com surgimento de astigmatismo irregular e redução da acuidade visual corrigida. Tomografia confirmou ectasia pós-LASIK.
Conduta: crosslinking corneano bilateral para estabilizar a córnea, seguido, 6 meses depois, de adaptação de lente escleral para reabilitação visual. O caso ilustra por que a avaliação pré-operatória meticulosa é crítica: as tecnologias de tomografia que permitiriam detectar os sinais de risco não existiam quando esse paciente foi operado nos anos 2000.
Caso 6 — Alto astigmatismo e córnea regular
Mulher, 38 anos, astigmatismo de −4,75 D com pequena miopia (−1,00 D), nunca conseguiu adaptar-se a lentes de contato. Usa óculos de grau o tempo todo. Córnea regular, paquimetria 550 μm.
Conduta: LASIK com perfil topography-guided (Contoura Vision na Wavelight EX500), aproveitando a tomografia para personalizar a correção ao padrão específico do astigmatismo dela. Resultado: visão 20/20 sem correção; ganho qualitativo importante em relação aos óculos, principalmente à noite.
Caso 7 — Hipermetropia baixíssima e presbiopia inicial: READ só no olho não dominante
Homem, 45 anos, advogado, com +0,25 D de hipermetropia em cada olho e presbiopia inicial há cerca de um ano — enxergava bem de longe sem óculos, mas havia passado a precisar de óculos de leitura para celular, contratos e computador. Queixa central: incômodo com a dependência crescente de óculos para perto. Cristalino transparente, córneas regulares, tomografia normal.
Teste de dominância ocular: realizado em consultório com o teste do furo (Miles / hole-in-card) — o paciente entrelaça as mãos formando uma pequena abertura e mira um objeto distante com os dois olhos abertos; em seguida fecha um olho de cada vez. O olho que continua enxergando o objeto pela abertura é o dominante. Confirmamos também com um segundo método (teste da lente de +1,50 D — posicionando a lente à frente de cada olho alternadamente, o olho cujo embaçamento incomoda mais é o dominante). Conclusão: olho direito dominante, olho esquerdo não dominante.
Conduta: READ FemtoLASIK somente no olho esquerdo (não dominante), com alvo refracional de −1,25 D e tratamento asférico adicional para ampliar a profundidade de foco. O olho direito foi preservado sem tratamento — continuaria enxergando nitidamente para longe.
Resultado: já no primeiro dia o paciente enxergava J1 para perto no olho esquerdo (leitura de letras miúdas sem esforço) e manteve 20/20 para longe no olho direito. Adaptação binocular excelente, sem queixas de halos ou desconforto. Retorno a todas as atividades profissionais em 48 horas, sem óculos.
Quer entender qual técnica faz mais sentido para o seu caso?
A seção de Perguntas Frequentes abaixo reúne dúvidas que recebo com frequência ao longo dos anos. Se a sua pergunta não estiver aí, entre em contato pelo WhatsApp — a equipe responde pessoalmente.
Recupere sua nitidez total: cirurgia refrativa moderna conduzida pela equipe da Ortolan Oftalmologia, formada na USP.
Referências
American Academy of Ophthalmology (AAO) EyeWiki. *Laser in Situ Keratomileusis (LASIK).* eyewiki.aao.org/LASIK
American Academy of Ophthalmology. *Refractive Errors & Refractive Surgery Preferred Practice Pattern®.* 2023. aao.org/preferred-practice-pattern
Trokel SL, Srinivasan R, Braren B. Excimer laser surgery of the cornea. *Am J Ophthalmol.* 1983;96(6):710-715. PubMed PMID: 6660257
Pallikaris IG, Papatzanaki ME, Stathi EZ, Frenschock O, Georgiadis A. Laser in situ keratomileusis. *Lasers Surg Med.* 1990;10(5):463-468. PubMed PMID: 2233101
Sekundo W, Kunert KS, Blum M. Small incision corneal refractive surgery using the small incision lenticule extraction (SMILE) procedure for the correction of myopia and myopic astigmatism: results of a 6 month prospective study. *Br J Ophthalmol.* 2011;95(3):335-339. PubMed PMID: 20601657
Sandoval HP, Donnenfeld ED, Kohnen T, et al. Modern laser in situ keratomileusis outcomes. *J Cataract Refract Surg.* 2016;42(8):1224-1234. PubMed PMID: 27531300
Solomon KD, Fernández de Castro LE, Sandoval HP, et al. LASIK world literature review: quality of life and patient satisfaction. *Ophthalmology.* 2009;116(4):691-701. PubMed PMID: 19344821
Shortt AJ, Allan BDS, Evans JR. Laser-assisted in-situ keratomileusis (LASIK) versus photorefractive keratectomy (PRK) for myopia. *Cochrane Database Syst Rev.* 2013;1:CD005135. PubMed PMID: 23440799
Li SM, Kang MT, Wang NL, Abariga SA. Wavefront excimer laser refractive surgery for adults with refractive errors. *Cochrane Database Syst Rev.* 2020;12(12):CD012687. PubMed PMID: 33336797
Kim TI, Alió Del Barrio JL, Wilkins M, Cochener B, Ang M. Refractive surgery. *Lancet.* 2019;393(10185):2085-2098. PubMed PMID: 31106754
Waring GO, Lynn MJ, Gelender H, et al. Three-year results of the Prospective Evaluation of Radial Keratotomy (PERK) Study. *Ophthalmology.* 1987;94(10):1339-1354. PubMed PMID: 3684213
Randleman JB, Woodward M, Lynn MJ, Stulting RD. Risk assessment for ectasia after corneal refractive surgery. *Ophthalmology.* 2008;115(1):37-50. PubMed PMID: 17624434
Belin MW, Ambrósio R Jr. Scheimpflug imaging for keratoconus and ectatic disease. *Indian J Ophthalmol.* 2013;61(8):401-406. PubMed PMID: 23925318
Ambrósio R Jr, Lopes BT, Faria-Correia F, et al. Integration of Scheimpflug-based corneal tomography and biomechanical assessments for enhancing ectasia detection. *J Refract Surg.* 2017;33(7):434-443. PubMed PMID: 28681902
Reinstein DZ, Archer TJ, Randleman JB. Mathematical model to compare the relative tensile strength of the cornea after PRK, LASIK, and small incision lenticule extraction. *J Refract Surg.* 2013;29(7):454-460. PubMed PMID: 23820227
Moshirfar M, Tukan AN, Bundogji N, et al. Ectasia after corneal refractive surgery: a systematic review. *Ophthalmol Ther.* 2021;10(4):753-776. PubMed PMID: 34478054
Wilson SE, Marino GK, Medeiros CS, Santhiago MR. Epithelial remodeling after corneal surgery. *Curr Opin Ophthalmol.* 2017;28(4):339-343. PubMed PMID: 28399074
Kanellopoulos AJ, Asimellis G. Long-term bladeless LASIK outcomes with the FS200 femtosecond and EX500 excimer laser workstation: the Refractive Suite. *Clin Ophthalmol.* 2013;7:261-269. PubMed PMID: 23403651
Reinstein DZ, Archer TJ, Gobbe M. Small incision lenticule extraction (SMILE) history, fundamentals of a new refractive surgery technique and clinical outcomes. *Eye Vis (Lond).* 2014;1:3. PubMed PMID: 26605351
U.S. Food and Drug Administration. *LASIK — When is LASIK not for me? Patient labeling recommendations.* Center for Devices and Radiological Health. fda.gov/medical-devices/lasik
Hansen LO, Garcia R, Torricelli AAM, Bechara SJ. Cost-Effectiveness of Corneal Collagen Crosslinking for Progressive Keratoconus: A Brazilian Unified Health System Perspective. *Int J Environ Res Public Health.* 2024;21(12):1569. PubMed PMID: 39767810
Hansen LO, Bechara SJ. Pediatric keratoconus epidemiology: a systematic scoping review. *Arq Bras Oftalmol.* (tese FMUSP, contexto epidemiológico pediátrico relevante para a discussão de ceratocone subclínico antes de cirurgia refrativa).
Wollensak G, Spörl E, Seiler T. Riboflavin/ultraviolet-A-induced collagen crosslinking for the treatment of keratoconus. *Am J Ophthalmol.* 2003;135(5):620-627. PubMed PMID: 12719068 — base do crosslinking profilático discutido em córneas limítrofes.
Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). *Condutas do CBO — Cirurgia Refrativa.* Diretrizes nacionais de indicação e seleção de pacientes para cirurgia refrativa. cbo.net.br
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). *Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde — RN 465/2021 e atualizações*, com diretriz de utilização para cirurgia refrativa LASIK-PRK. Consulta pública
Conselho Federal de Medicina. *Resolução CFM nº 1.974/2011, alterada pela Resolução CFM nº 2.336/2023* — publicidade médica. portal.cfm.org.br
Com quantos graus eu posso fazer cirurgia refrativa?
Com laser corneano (PRK, LASIK, SMILE), a faixa usual é miopia entre −0,50 e aproximadamente −10,00 D, hipermetropia até +6,00 D e astigmatismo até −4,00 D (até −6,00 D em casos selecionados). Graus maiores que isso são conduzidos com lente fácica (ICL) ou troca refrativa de cristalino. A avaliação individual define até onde é seguro ir no seu caso.
Qual é a idade mínima para operar?
18 anos, desde que o grau esteja estável há pelo menos 12 meses. Operar antes disso traz risco real de progressão pós-cirurgia. Em alguns casos específicos, operamos pacientes um pouco mais jovens com estabilidade comprovada, mas é exceção.
A cirurgia refrativa dói?
Durante a cirurgia, não. A anestesia tópica com colírio é muito eficiente. No pós-operatório, o LASIK é praticamente indolor; o SMILE gera desconforto leve; a PRK causa dor moderada nos primeiros 3 a 5 dias, bem controlada com lente terapêutica, colírios e analgésicos orais.
Quanto tempo dura a cirurgia?
O laser propriamente dito dura segundos por olho — geralmente entre 10 e 40 segundos. O tempo total no centro cirúrgico, incluindo preparação, antissepsia e os dois olhos, costuma ser de 15 a 25 minutos.
Quando posso voltar a dirigir?
Após LASIK ou SMILE: em 24 a 48 horas, na maioria dos casos. Após PRK: tipicamente entre 3 e 7 dias, quando a visão atinge nível funcional. Essa orientação vale para dirigir de dia; à noite, recomendo um período um pouco maior por causa de halos transitórios.
Quando posso voltar à academia, à corrida e ao crossfit?
Academia leve e caminhada: 5 a 7 dias. Musculação pesada e corrida moderada: 10 a 14 dias. Crossfit e treinos intensos: 14 a 21 dias. Esportes de contato: 30 dias para LASIK/SMILE, 60 dias para PRK. Natação e piscina: 30 dias em qualquer técnica.
O grau pode voltar depois?
Não, o grau corrigido não 'volta' no sentido literal. O que pode acontecer é uma pequena recidiva em pacientes que não tinham o grau estável antes da cirurgia, ou o surgimento natural da presbiopia após os 40 anos — a sensação de 'ver pior' pode ser de perto, não de longe. Em alguns casos com grau residual real, um retoque resolve.
O LASIK causa olho seco?
Pode causar ou piorar o olho seco nos primeiros meses, por secção transitória dos nervos corneanos superficiais. Na maioria dos pacientes o quadro é leve e melhora até o final do primeiro ano. A PRK tem menor impacto e o SMILE, impacto ainda menor. Olho seco pré-existente mal tratado é a causa número um de insatisfação pós-operatória — por isso o diagnóstico e o tratamento prévios são parte do protocolo.
Tenho córnea fina. Ainda posso fazer LASIK?
Provavelmente não. Córnea fina aumenta o risco de ectasia pós-LASIK e por isso, em geral, direcionamos para PRK (que não consome tecido para fazer flap) ou para lente fácica (ICL), que não mexe na córnea. A decisão depende da paquimetria, do grau e da topografia.
O convênio cobre a cirurgia refrativa?
Depende. A ANS obriga cobertura quando o paciente tem ≥18 anos, grau estável há ≥1 ano e miopia entre −5,00 e −10,00 D (com ou sem astigmatismo até −4,00) ou hipermetropia até +6,00 D. Fora desses critérios, o convênio pode autorizar mediante análise individual — mas não é obrigado. SMILE e ICL em regra não são cobertos.
Meu grau é de −3,00 D. O convênio cobre?
Fora da cobertura obrigatória da ANS. Alguns planos autorizam mediante análise individual em casos de intolerância comprovada a óculos ou lentes de contato, mas não é garantido. Nosso time ajuda o paciente a montar a documentação quando vale tentar.
Qual é o valor médio da cirurgia refrativa no Brasil?
A média de mercado para PRK e LASIK gira em torno de R$ 6.000 por olho, variando entre R$ 4.000 e R$ 8.000 a depender do cirurgião, do centro e da tecnologia. SMILE custa entre R$ 9.000 e R$ 13.000 por olho; ICL, acima de R$ 18.000 por olho. Valores específicos da Ortolan são passados pelo WhatsApp — o CFM proíbe divulgação pública de preços.
Posso operar durante a gestação ou a amamentação?
Não. Durante a gravidez e o pós-parto imediato, alterações hormonais causam instabilidade da refração e interferem no filme lacrimal. Operamos somente depois da amamentação encerrada e com pelo menos 3 meses de estabilidade refrativa documentada.
Já fiz LASIK há anos e o grau voltou. Posso retocar?
Frequentemente sim. O 'retoque' depende da espessura residual do estroma, da estabilidade atual do grau e da qualidade topográfica da córnea. Na consulta avaliamos se o retoque pode ser feito levantando o flap original (em casos recentes) ou como PRK sobre o leito (caminho mais seguro em casos antigos).
Pratico esportes de contato. Qual é a técnica mais segura para mim?
PRK ou SMILE. Ambas não deixam flap — portanto não há risco de deslocamento traumático. Em lutadores, militares, bombeiros e policiais, a preferência recai sobre PRK (em córneas finas) ou SMILE (em córneas de espessura normal).
A cirurgia corrige também a vista cansada (presbiopia)?
Sim, com protocolos específicos. Utilizamos o Alcon READ (perfil multifocal no excimer da Wavelight EX500), o Zeiss PRESBYOND (LASIK Blended Vision na plataforma MEL 90) e a monovisão clássica (com teste prévio em lentes de contato). Em pacientes acima de 55 anos, a troca refrativa de cristalino com lente multifocal é, em geral, a escolha mais previsível.
Tenho diabetes. Posso fazer cirurgia refrativa?
Pode, desde que o diabetes esteja bem controlado, sem retinopatia diabética ativa e com cicatrização corneana preservada. Exigimos hemoglobina glicada em faixa adequada, avaliação de retina dilatada e, em alguns casos, um período de controle metabólico antes do procedimento.
Operar os dois olhos no mesmo dia é seguro?
Sim, é prática consolidada e a regra em LASIK e SMILE. Em PRK, alguns cirurgiões preferem operar separadamente por causa do desconforto nos primeiros dias; outros operam os dois olhos de uma vez. Na Ortolan, decidimos com o paciente caso a caso, priorizando conforto e logística familiar.
Este artigo substitui uma consulta com oftalmologista?
Não. O conteúdo é educativo e reúne critérios gerais — a indicação da cirurgia, a escolha da técnica e o planejamento individual dependem de avaliação clínica completa, com exames detalhados e discussão do perfil visual e profissional do paciente.
O glaucoma é um grupo complexo de doenças que lesiona progressivamente o nervo óptico — a estrutura que leva as imagens captadas pelo olho até o cérebro. É o maior causador de cegueira irreversível no mundo e, na forma mais comum, evolui sem dor, sem vermelhidão e sem sintomas perceptíveis nos primeiros anos — por isso é chamado de 'ladrão silencioso da visão'. O dano já feito é permanente, mas a perda visual pode ser evitada: diagnóstico precoce e tratamento contínuo permitem estabilizar a doença e preservar a visão útil por décadas.
A catarata é uma condição ocular muito comum, caracterizada pela opacificação do cristalino — a lente natural do nosso olho. Quando essa lente perde a sua transparência, a visão torna-se embaçada, como se estivéssemos olhando através de um vidro sujo ou enevoado. Embora o diagnóstico possa gerar preocupação, a catarata é uma condição altamente tratável.
O ceratocone é uma doença progressiva da córnea que afina e deforma a parte da frente do olho em forma de cone, produzindo miopia e astigmatismo irregular. Quando diagnosticado em tempo hábil, é estabilizado com crosslinking corneano; quando avançado, exige lentes esclerais, anéis intraestromais ou transplante. É a principal causa isolada de transplante de córnea no Brasil. O Dr. Lucca Ortolan Hansen, diretor da Ortolan Oftalmologia, é pesquisador do tema pela USP. Veja também o atlas completo de doenças oftalmológicas e as cirurgias oftalmológicas oferecidas.
Descubra como a retinografia pode ajudar no diagnóstico e monitoramento de doenças oculares, capturando imagens detalhadas da retina. Conheça mais sobre essa tecnologia essencial no site Ortolan Oftalmologia.
Tomografia de Coerência Óptica (OCT) de mácula e OCT de nervo óptico são essenciais para avaliar a saúde da retina e do nervo óptico, proporcionando diagnósticos precisos e guiando tratamentos eficazes. Saiba mais sobre essas tecnologias inovadoras no nosso site da Ortolan Oftalmologia.
Saiba como o mapeamento de retina é fundamental para detectar e monitorar doenças oculares, proporcionando uma análise abrangente da saúde da sua visão. Descubra os benefícios dessa tecnologia avançada no nosso site de oftalmologia.
Continue sua leitura
Outros artigos sobre o tema
Mais leituras para continuar pesquisando dentro do blog da Ortolan.
A Jornada da Recuperação da Cirurgia de Catarata: Um Guia Detalhado com Fotos
A cirurgia de catarata é um procedimento rápido e eficaz que restaura a visão turva causada pela catarata. No entanto, como qualquer procedimento médico, a recuperação é fundamental para garantir um resultado positivo.
Neste artigo, exploraremos os diferentes estágios da recuperação da cirurgia de catarata, desde os primeiros dias até a visão completa. Damos dicas do uso correto dos colírios no pós-operatório.
O que é a catarata? Como Tratar a Catarata? O que é a Cirurgia de Catarata? Neste artigo o Dr. Lucca Ortolan Hansen tira as principais dúvidas dos pacientes.
Aula com caso clínico de cirurgia refrativa apresentada pelo dr. Lucca Ortolan Hansen na seção de Cirurgia Refrativa no Congresso de Oftalmologia da Universidade de São Paulo em 2021.
Continue sua leitura
Páginas principais da Ortolan
Acesse áreas centrais do site para conhecer exames, doenças, cirurgias e equipe médica.